Senadores avaliam socorro ao Banestado
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terça-feira, 01 de dezembro de 1998
Leandro Donatti 
O socorro financeiro de R$ 3,8 bilhões dos cofres da União para tirar o Banco do Estado do Paraná (Banestado) do vermelho começa a ser analisado hoje, a partir das 10 horas da manhã, pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Se for aprovada pela CAE, a mensagem passará à discussão do plenário, que terá até o dia 15 para decidir.
O secretário paranaense da Fazenda, Giovani Gionédis, está em Brasília desde ontem à noite para acompanhar a votação. Ao mesmo tempo que ele confirmava o apoio dos senadores aliados, Gionédis vigiava de perto a movimentação do único adversário declarado à entrega do Banestado à iniciativa privada, o senador Roberto Requião (PMDB-PR).
O senador Requião disse ontem que vai pedir vistas ao pedido de empréstimo. Se Requião for atendido pelo presidente da comissão, o senador Pedro Piva (PSDB-SP), o processo de privatização do Banestado fica suspenso e volta à pauta da CAE somente na semana que vem. O governo do Estado tem até o dia 15 para aprovar o socorro financeiro e oferecer os outros R$ 250 milhões como contrapartida do saneamento. O passivo do banco é calculado hoje em R$ 4,1 bilhões. A resolução do governo federal que socorre os bancos estaduais expira no dia 18.
A concessão do empréstimo federal ao Paraná tem parecer favorável. O senador Gérson Camata (PMDB-ES) já manifestou concordância e encaminhou seu relatório para a Comissão. Os senadores da CAE vão analisar o parecer de Camata. Gionédis está confiante na aprovação do processo dentro dos prazos legais. Ontem, antes de embarcar para Brasília, o secretário admitiu que a única apreensão no Palácio Iguaçu se resumia ao senador Requião. Ele (o senador) é imprevisível, classificou. Mesmo que tente barrar amanhã (hoje), o processo de privatização é irreversível, considerou.
Requião voltou a chamar a proposta fechada entre o governo Lerner e o Banco Central de trambique. Vou mandar tudo isso para a Polícia Federal e para o Ministério Público, prometia. Para o senador, a aprovação do empréstimo implica em crime de responsabilidade, uma vez que as contas do banco, referentes ao exercício financeiro de 1996, ainda não teriam sido analisadas pelo Banco Central. Vou tentar mostrar para os senadores que isso não passa de uma roubalheira. O rombo anunciado pelo governo é muito alto, o equivalente a uma Vale do Rio Doce e meia, comparou o senador.


