James Alberti
De Curitiba
Os senadores Alvaro Dias (PSDB-PR) e Roberto Requião (PMDB-PR) afirmaram ontem que a CPI do Narcotráfico irá encontrar um farto material no Paraná. A comissão, que investiga o crime organizado no País, virá ao Estado, segundo garantiu anteontem à Folha o deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR). Ontem, Hauly disse que pretende voltar a conversar com o relator da CPI, deputado Moroni Torgan (PFL-CE), e pedir que a comissão acelere a vinda. Um levantamento preliminar, que começou a ser feito há 20 dias, deve subsidiar os trabalhos.
Os senadores acreditam que o Estado é um ponto estratégico do narcotráfico, em função da fronteira do Brasil com Paraguai e Argentina e divisa com o Estado do Mato Grosso do Sul, na fronteira com a Bolívia. De olho na sucessão de 2002, os senadores vêem a CPI como uma forma de atacar a política de segurança do governador Jaime Lerner (PFL).
Eles criticaram ontem a falta de combate efetivo do governo estadual aos traficantes. ‘‘O tráfico de drogas atua tranquilamente no Estado’’, disse Requião. ‘‘Não conheço ação do governo estadual nessa área’’, concordou Alvaro. Para o senador tucano, a inércia da Secretaria de Estado da Segurança Pública deve culminar com a vinda da comissão. ‘‘Certamente a CPI do Narcotráfico vai movimentar a área policial do Estado’’, disse.
O secretário da Segurança, Cândido Martins de Oliveira, não observa ação do crime organizado no Paraná, informou sua assessoria anteontem. Segundo o assessor de imprensa da secretaria, Valdir Bicudo, mesmo assim Cândido Martins teria determinado uma ação ‘‘violentíssima para conter o avanço do narcotráfico.’’ Conforme Bicudo, há ‘‘braços’’ do crime organizado querendo chegar ao Estado.
Ao contrário do secretário, para Requião e Alvaro Dias está claro que o crime organizado age no Paraná. ‘‘É evidente que existe o tráfico de drogas no Estado. As drogas estão nas escolas’’, disse Requião. ‘‘Há (o narcotráfico) em função da geografia, da tríplice fronteira’’, afirmou Alvaro. O senador tucano acredita, porém, que não há no Paraná criminosos semelhantes aos que a CPI encontrou em outros Estados. ‘‘O tráfico aqui deve ser mais de passagem, nada semelhante ao Maranhão’’, disse.
Mas há possibilidade de os crimes no Estado estarem ligados aos da quadrilha liderada pelo empresário campineiro Willian Sozza, de Campinas (SP). Ele está foragido há 23 dias, desde que sua prisão foi decretada. Um delegado que investiga o tráfico no Paraná afirmou à Folha, anteontem, ter gravado conversas telefônicas de um traficante paranaense com Sozza.
O discurso político de Alvaro também envolveu o ministro dos Esporte e Turismo, Rafael Greca (PFL-PR), aliado número 1 de Lerner. Como a CPI deve investigar denúncias concretas, o tucano disse que os membros da comissão deveriam investigar a denúncia, feita pelo Ministério Público de Brasília, da conexão da máfia italiana com os bingos.
Para o senador, os bingos seriam usados para lavar o dinheiro do narcotráfico. ‘‘Contribuir no esclarecimento desta denúncia é mais uma missão dessa CPI’’, defendeu. Rafael Greca tem vivido um inferno astral desde que as denúncias atingiram sua pasta.Alvaro e Requião dizem que comissão deve se apressar porque tráfico atua ‘‘tranquilamente’’ no Estado e governo não age
Arquivo FolhaMAPAAlvaro: geografia facilita atuação de traficantesArquivo FolhaCLARORequião: é evidente que existe o tráfico no Estado

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