A situação do presidente licenciado do Congresso, Jader Barbalho (PMDB-PA), complicou-se ontem com a divulgação da nota técnica da 5ª Câmara do Ministério Público, confirmando suposto envolvimento do senador com desvios de recursos do Banco do Estado do Pará (Banpará). Alguns colegas de Jader no Senado dizem que ele só tem dois caminhos: a renúncia ao mandato ou a cassação. Nenhum acredita que o paraense retorne à presidência da Casa.
O senador Romeu Tuma (PFL-SP), que coordena a comissão do Conselho de Ética criada para analisar se Jader quebrou o decoro parlamentar, pediu ontem cópia da nota da 5ª Câmara ao procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, que se comprometeu a enviá-la. ‘‘A nota é um fator de agravamento da situação do senador Jader, porque diz expressamente que há indícios veementes da participação dele no desvio. Suponho que os três procuradores que a assinam não estejam sendo levianos’’, disse Jefferson Péres (PDT-AM).
A comissão de três senadores – Péres, Tuma e João Alberto (PMDB-MA), o único aliado de Jader – começa a examinar documentos na próxima segunda-feira. Na terça será a primeira reunião, para definição de procedimentos. Jader deverá ser ouvido ao final. A comissão tem prazo de 30 dias para submeter ao conselho parecer propondo processo de cassação ou arquivamento das denúncias.
Uma dessas denúncias é a de que Jader teria pedido ao deputado estadual Mário Frota (PDT- AM) ‘‘pedágio’’ de US$ 5 milhões para liberar financiamento da extinta Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). Tuma requisitou da revista ‘‘Istoɒ’ a fita com a gravação da suposta conversa telefônica na qual Frota contaria ao empresário David Banayon o pedido de Jader. A fita deverá ser encaminhada pela revista na segunda-feira.
Péres vai sugerir que Frota seja ouvido na próxima semana. E que na semana seguinte a comissão ouça Nivaldo Marinho, ex-assessor de Frota, acusado pelo deputado de ter imitado sua voz no telefonema a Benayon. A comissão vai comparar discursos de Jader em plenário com declarações de renda do senador, para apurar se ele mentiu ao se defender de acusações.
Em discurso, Pedro Simon (PMDB-RS) cobrou pressa de Brindeiro no indiciamento de Jader e, do Supremo Tribunal Federal (STF), no pedido de licença ao Senado para processar o senador. Há um acordo entre os partidos para que a licença seja aprovada.
‘‘Se o procurador e o Supremo não agirem rápido e o Conselho de Ética decidir pela cassação, Jader renunciará ou será cassado. Nos dois casos, o processo penal contra ele morre, porque, no momento em que ele deixar de ser senador, o caso sai do Supremo e vai para um juiz de Belém. E aí não se falará mais no assunto’’, disse Simon.

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