Brasília - O primeiro-secretário do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI), afirmou ontem que o procedimento de horas-extras dos funcionários da Casa é uma ''bagunça''. O senador levantou a suspeita de que servidores aparecem no Congresso apenas no fim do dia para registrar a hora adicional. ''Isso é uma bagunça. O pessoal passa o dia fora, chega com o cabelo molhado no fim do dia e fica dando volta no Senado até 20h30 para marcar a hora-extra, enquanto os demais trabalham'', disse.
A declaração foi dada em audiência pública sobre a reforma administrativa e, depois, repetida a jornalistas. O senador prometeu aumentar o rigor no controle do cumprimento da hora-extra no Senado, ponto de desperdício e suspeita de irregularidades nos últimos anos. ''Isso vai ser corrigido, mas não da noite para o dia'', afirmou.
Ontem, Fortes anunciou que vai suspender os salários de 88 funcionários que não participaram do recente recadastramento realizado pela Secretaria de Recursos Humanos do Senado. Desses, 65 são de confiança e 23 de carreira. O Senado deve decidir até quinta-feira, dia 29, a iniciativa que será tomada em relação a esses servidores. Há setores do comando administrativo que defendem a abertura de processo administrativo contra os 88 ausentes. Há quem prefira a demissão dos comissionados e investigação apenas contra os de carreira, protegidos pela legislação do servidor público. Esses 88 são do grupo que sequer deu sinal de vida no recadastramento, iniciado há dois meses para identificar funcionários fantasmas. Outros 415 iniciaram o processo, mas não o concluíram. A Primeira Secretaria ainda vai investigar se isso ocorreu por problemas técnicos ou omissão do próprio funcionário.
O presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), voltou a prometer que nesta quinta-feira entregará aos integrantes da Mesa Diretora o relatório da Fundação Getulio Vargas (FGV) sobre a reforma administrativa do Senado, prometida pelo senador desde fevereiro - quando tomou posse -, mas que até agora não saiu do papel. Pressionado a diminuir o desgaste da imagem da Casa, Sarney promete colocar parte da reforma em votação até dezembro, mas sabe que sofrerá resistências internas. Parte dos servidores de carreira é contrária à proposta da FGV de cortar as gratificações concedidas em gestões anteriores. Quer, em troca, aumento salarial.
No total, o Senado abriga 10 mil funcionários, assim distribuídos: 3,5 mil efetivos, 3 mil comissionados e 3,5 mil terceirizados. Os de confiança contam com a proteção dos senadores, que relutam em abrir mão desses funcionários indicados. E os terceirizados têm pressionado para não serem demitidos. Alegam que recebem o menor salário entre os servidores da Casa.

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