Brasília - O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), apresentou ontem uma denúncia contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e pediu abertura de investigação contra ele no Conselho de Ética da Casa. Virgílio pede que o peemedebista seja investigado pela edição dos atos secretos - com a nomeação de parentes - e pelos empréstimos consignados fechados pela Casa. O tucano espera que hoje, após a reunião da bancada, o PSDB entre com uma representação contra Sarney.
Para entregar a representação, Virgílio precisaria do aval do partido, mas o presidente da legenda, Sérgio Guerra (PE), ainda está viajando. Outro problema é que a denúncia pode não ser acolhida pelo Conselho de Ética, enquanto a representação obriga o conselho a abrir processo e analisar o caso.
Segundo Virgílio, o Senado não pode se calar diante das denúncias que surgem contra o presidente da instituição. Virgílio afirmou que Sarney foi envolvido na nomeação secreta de pelo menos nove familiares, recebeu indevidamente auxilio moradia de R$ 3.800 e ainda utilizou seguranças do Senado para fazer a vigilância de sua residência no Maranhão.
Para o líder tucano, a descoberta de que o esquema de empréstimo consignado para servidores do Senado inclui entre seus operadores um neto do peemedebista, José Adriano Sarney, mostra que a situação de Sarney é insustentável. ''São fatos que precisam ser esclarecidos. No caso dos empréstimos consignados, a polícia já identificou que houve desvio na gestão do Zoghbi (João Carlos Zoghbi). O Senado e a sociedade esperam uma resposta'', disse.
Espera
A estratégia do tucano de transferir a crise para o Conselho de Ética pode demorar. O colegiado está desativado desde março. Faltam quatro indicações do PMDB, que precisam ser feitas pelo líder do partido, Renan Calheiros (AL), principal aliado de Sarney. O PSDB oficializou seus dois representantes, mas eles ainda precisam apresentar documentos para que sejam autorizados a tomar posse.

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