Senador suspeita de influência política
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quinta-feira, 25 de agosto de 2005
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) suspeita que os investimentos de fundos de previdência de estatais do Paraná no Banco Santos, em processo de liquidação, foram feitos por influências políticas. Dias acredita que o responsável por essa determinação veio de ordens superiores de pessoas relacionadas com a ''política oficial situacionista''.
Anteontem, ele foi informado pelo Banco Central que a Fundação Copel, a Fundação Itaipu e a Fundação Sanepar mantinham aplicações correspondentes a R$ 128 milhões no Banco Santos. Essas fundações administram os fundos de previdência dos funcionários das empresas estatais. O senador defendeu a responsabilização civil e criminal se forem comprovadas fraudes nas gestões e prejuízos aos funcionários.
Para o senador, agora cabe ao Ministério Público a instauração de processo investigativo, já que se tratam de aplicações indevidas de recursos públicos, numa instituição que não tem tradição no Paraná. Dias disse, ainda, que não se justifica a manutenção dos investimentos durante o período que antecedeu à intervenção do BC, quando já se tinha boatos de que o banco Santos seria liquidado. ''Foi uma gestão temerária e essas aplicações configuram o cumprimento de ordens superiores'', afirmou.
Álvaro Dias comentou ainda a dificuldade dos dirigentes das fundações em esclarecer os fatos. ''Esses dirigentes fogem dos questionamentos sobre essas aplicações'', disse. ''Isso reforça minha tese de ordem superior'', acrescentou.
Na Fundação Copel, onde ficaram retidos R$ 51,75 milhões em papéis e CDBs, o presidente Murilo Batista Filho estava participando de um seminário fora, informou sua assessoria. Na Fundação Itaipu, com R$ 16,86 milhões em investimentos retidos, a diretora superintendente Margareth Groff, estava em viagem.
A diretora da Fundação Sanepar, Claudia Trindade, esclareceu que a instituição não teve prejuízos porque os papéis que lastreavam os investimentos não foram emitidos pelo Banco Santos. Inclusive, os R$ 59,41 milhões aplicados no banco, que sofreu intervenção em novembro de 2004, apurou rendimentos de 2,87% até janeiro de 2005, quando os fundos foram transferidos para outro banco. Segundo Trindade, a Fundação Sanepar escolheu o Banco Santos para investir seus recursos, após um processo seletivo em que foi eleita a melhor proposta. Ela rejeitou colocar a Fundação Sanepar na mesma cesta de suspeitas.
O Ministério Público Federal informou que instaurou procedimento investigativo sigiloso em 2004, quando ocorreu a intervenção. Foi aberto inquérito policial que também corre em sigilo na Justiça Federal.


