OMISSÃO Senador questiona ‘grande imprensa’ Edinelson Alves De Brasília Especial para a Folha O senador Roberto Requião (PMDB-PR) fez ontem um duro discurso questionando quais seriam os reais motivos da Rede Globo em ter dado tanto espaço para Nicéa Pitta, ex-mulher do prefeito de São Paulo, o que motivou na Câmara Federal a discussão sobre a reabertura da CPI dos Narcotráfico. Para o senador paranaense, a reabertura só serviria para prorrogar o processo de punição contra os grandes envolvidos naquele escândalo. Ele também culpou a grande imprensa, principalmente a Globo e o jornal Estado de S.Paulo por terem dado grande destaque aos trabalhos daquela comissão enquanto eram citados como envolvidos Paulo Maluf, Celso Pitta, Miguel Arraes, entre outros políticos, mas que nunca citaram o Banco Bradesco como a instituição financeira que mais lucrava com toda aquela operação irregular que lesava o patrimônio público. Para Requião, a nova CPI só seria recomendável se fosse para investigar porque o Executivo e o Judiciário não puniram os grandes envolvidos naquele escândalo. O senador afirmou que ao invés de pedir nova CPI, a Globo e outros grandes veículos deveriam divulgar que Katsumi Kihara, diretor de operações do Bradesco no Rio de Janeiro, está sendo acusado pela Justiça de formação de quadrilha e outros cinco crimes. ‘‘Surpreendemente, esse caso seríssimo nunca foi divulgado. A imprensa sempre deu grande destaque quando as denúncias envolviam políticos, mas nunca divulgou pelo assunto para mostrar a conclusão, justamente porque envolviam uma grande instituição financeira como o Bradesco. O senador paranaense afirmou que um dos maiores escândalos ocorreu em Pernambuco onde o governador Jarbas Vasconcelos (PMDB) trabalhou para esquentar títulos frios que haviam sido lançados pelo seu antecessor Miguel Arraes (PSB). Ele disse que toda operação dos precatórios era possível porque havia uma grande instituição financeira por trás, no caso o Bradesco, garantindo a negociação. O lucro - explicou - vinha do deságio de até 30% que era praticado contra Estados e Municípios. Ele reafirmou que uma nova CPI só se justificaria para investigar porque em Pernambuco e São Paulo ainda não ocorreram as punições aos envolvidos e também porque a equipe econômico do governo ainda continua fazendo operações suspeitas com documentos frios. Para Requião, a imprensa não pode confundir as denúncias feitas por Nicéa Pitta sobre a corrupção e compra dos vereadores de São Paulo com a questão dos precatórios. Como exemplo de desinformação, ele disse que a Globo divulgou que o ex-senador Gilberto Miranda foi citado como se tivesse sido o relator daquela CPI e beneficiado no relatório final Maluf e Pitta. O senador paranaense respondeu que ele foi o relator e Bernardo Cabral o presidente, e os dois políticos paulistas foram diretamente incriminados na conclusão da CPI. ‘‘Não é nenhum fato novo nas denúncias de Nicéa’’, reafirmou. Durante seu pronunciamento, Requião foi aparteado diversos senadores. Todos fizeram questão de elogiar os trabalhos da CPI dos Precatórios.

mockup