Senador quer esclarecer caso Leasing
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quinta-feira, 24 de agosto de 2000
Rubens Burigo Neto De Curitiba 
O senador paranaense Osmar Dias (PSDB) pretende esclarecer o escândalo da Banestado Leasing na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado e, indiretamente, o processo de saneamento do Banestado. Ontem, em Curitiba, Osmar informou que vai apresentar requerimentos à CAE pedindo a convocação de diretores do Banco Central (BC) e da Polícia Federal (PF) para que apresentem os seus relatórios, respectivamente, de uma auditoria e da investigação policial sobre as operações irregulares praticadas na Leasing durante a gestão de Osvaldo Magalhães dos Santos.
Osmar afirmou ontem que também vai solicitar à CAE se caberia ao Tribunal de Contas da União analisar a auditoria do BC para tomar providências e recuperar o dinheiro desviado nessas operações, realizadas entre 1995 e 1997. Estou tratando essa questão tecnicamente. Queremos saber quem quebrou o Banestado. Mas, se quiserem politizar, eu também posso politizar a discussão, justificou o senador, admitindo que vai enfrentar dificuldades para aprovar os requerimentos. A CAE é formada por 27 membros e são necessários 14 votos para a aprovação dos pedidos. A próxima reunião da CAE deverá ser realizada entre os dias 12 e 15 de setembro.
O senador disse que a diretoria do BC se negou a apresentar o relatório da auditoria publicamente porque alegou sigilo bancário. Na opinião de Osmar, mesmo sem identificar os envolvidos nas investigações, os resultados da auditoria poderiam ter sido divulgados. Queremos saber se a responsabilidade das irregularidades já apontadas pelo Ministério Público do Paraná e pela Procuradoria da República se encerram na diretoria da Banestado Leasing ou chegam à presidência do conselho administrativo do banco. Temos que saber qual a participação do governo estadual nessas operações que dilapidaram o patrimônio público.
Na ação penal (ajuizada pela Procuradoria) e na ação cível (ajuizada pelos promotores públicos) foram denuncidas três empresas de Sergipe Habitacional Construções S/A, Amorim Sergipe Transportes Ltda., e Rápido Laser Ltda. que, sozinhas e com a anuência de Osvaldo Magalhães, provocaram um prejuízo de R$ 28.886.457,00 à empresa, vinculada ao conglomerado Banestado.
As investigações dos promotores e da Procuradoria já comprovaram que 33 empresas deram um calote de R$ 226 milhões na Leasing durante a gestão de Osvaldo, filho do deputado federal Joaquim dos Santos Filho (PFL). Osvaldo morreu em acidente de carro, em setembro de 98. Mas o rombo pode ultrapassar R$ 344 milhões valor injetado no ano passado somente para quitar dívidas da Leasing com o próprio Banestado.
Osmar disse que pode incluir em seu requerimento o pedido para que o ex-governador de Sergipe João Alves Filho (PFL), dono da Habitacional, seja chamado para se explicar na CAE. Se houve desvio na Leasing, é de se pensar que houve desvios também na reflorestadora e na corretora do Banestado. O Ministério Público se baseou nas informações dessa auditoria do BC para embasar suas denúncias. Mas os promotores estão encontrando dificuldades para obter os relatórios dessas outras empresas do conglomerado.
O senador fez um desafio ao governador Jaime Lerner (PFL). Ele tem que tomar a iniciativa de recuperar o dinheiro perdido nessas operações da Leasing. Aí ele daria a resposta, não só a mim, mas a todoa população do Paraná, de que não teve nada a ver com isso.
A assessoria de Lerner respondeu que o processo ainda está na Justiça e que o governador já fez tudo o que deveria ter sido feito com relação aos problemas da Banestado Leasing. Ainda segundo a assessoria, o Banestado jamais deixou de cobrar os valores dos contratos irregulares, inclusive com um processo que busca recuperar esses créditos.


