Senador quer auditoria em repasses ao MLST
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sexta-feira, 09 de junho de 2006
Rosa Costa<br> Agência Estado 
Brasília - O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) pediu ontem ao Tribunal de Contas da União (TCU) que realize auditorias nos convênios do governo com a Associação Nacional de Apoio à Reforma Agrária (Anara), cujos valores sejam superiores a R$ 1 milhão. Segundo ele, a entidade foi criada pelo Movimento de Libertação dos Sem-Terra (MLST), responsável pelo quebra-quebra nas dependências da Câmara na terça-feira, para receber recursos públicos. A prática, de acordo com o senador, é a mesma seguida pelo MST que, tal como o MLST, não possui registro de pessoa jurídica e como tal não pode fazer convênios e nem tampouco ser enquadrada judicialmente.
Dias explicou que seu pedido se deve ao fato de o governo petista ter repassado R$ 5,6 milhões à Anara para convênios de ''atuação duvidosa''. Cerca de R$ 3 milhões, por exemplo, de acordo com o senador, seriam aplicados na ''reestruturação sócio, cultural e econômica de assentamentos beneficiados''. O senador disse que, só o assentamento ''Paulo Faria'', localizado em Uberlândia (MG), de onde afirmou veio grande parte dos integrantes do MLST que invadiram a Câmara, foi contemplado com R$ 2,2 milhões, ''destinados à reestruturação econômica e sócio-cultural do assentamento''.
Ele mostrou a ''coincidência'' entre a liberação de recursos, e dois episódios protAgonizados pelo MLST. Primeiro, foi o repasse de R$ 1,9 milhão para Anara, dia 22 de abril do ano passado, seis dias depois de integrantes do movimento terem invadido a sede do Ministério da Fazenda, em Brasília. A outra ''coincidência'' foi a liberação de R$ 3 milhões após o encontro do líder da entidade e provável idealizador do ataque às dependências da Câmara, Bruno Maranhão, com o presidente Lula.
Ex-presidente da CPI da Terra, Álvaro Dias lembrou que a comissão detectou inúmeras fraudes em convênios firmados com o governo federal e entidades ligadas aos sem-terra. O senador lembrou que as irregularidades foram confirmadas pelo TCU que identificou desvio de recursos público da ordem de R$ 20 milhões em auditorias realizadas com três entidades ligadas ao MST.


