Dois dias depois de deixar a presidência do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) voltou ontem a criticar o presidente Fernando Henrique Cardoso e disse que ‘‘a corrupção campeia no Brasil’’. ‘‘Ele (FHC) foi contra a CPI do Judiciário, mas nós conseguimos fazer um excelente trabalho, colocamos o ex-juiz Nicolau dos Santos Neto na cadeira e indiciamos outros tantos que merecem o mesmo destino. Ele (FHC) foi contra o valor do novo mínimo (de R$ 151 para R$ 180), mas acabou aceitando a nossa proposta’’, disse.
Segundo o senador baiano, ‘‘é muito cedo’’ para saber se as mudanças ocorridas no Congresso com as eleições de Jader Barbalho (PMDB-PA) e Aécio Neves (PSDB-MG) terão alguma influência na sucessão presidencial do ano que vem. ‘‘Os fatos ocorridos em Brasília não interessam nada a 2002. Na política, os fatos mudam a todo instante.’’
ACM também voltou a defender a candidatura do governador Tasso Jereissati (PSDB-CE) à Presidência da República. ‘‘Eu quero que o meu partido tenha um candidato. Caso contrário, acho que devemos fazer uma aliança com um político capaz, que possa fazer a redenção do Brasil em vários setores, como é o caso do governador Jereissati.’’ Segundo Antonio Carlos, o futuro da aliança PFL-PMDB-PSDB depende ‘‘exclusivamente’’ do presidente Fernando Henrique Cardoso.
‘‘A manutenção da aliança passa por modificações que o presidente pode fazer ou não. No entanto, não é possível privilegiar parlamentares que são amorais e vendem voto em um momento tão difícil da vida pública brasileira’’, ressaltou o senador.
Ele ainda reconheceu que não foi ‘‘traído’’ por FHC nas eleições para as presidências da Câmara e do Senado. ‘‘Não fui traído, pois não combinei nada com ele (FHC). Agora, o presidente Fernando Henrique Cardoso incentivou a candidatura de José Sarney (à presidência do Senado), mas, depois, retirou o seu apoio’’, criticou.

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