Senador justifica: Foi acerto político
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sábado, 14 de dezembro de 1996
Agência Estado 
BRASÍLIA - A justificativa do senador Carlos Bezerra (PMDB-MT), relator-geral da Comissão Mista de Orçamento, para o acréscimo de R$ 2,5 milhões na emenda do deputado Pedrinho Abrão (PTB-GO) que destinava verba a um hospital de Niquelândia (GO), foi de que se tratou de um entendimento político.
O deputado goiano teria negociado o aumento com a equipe do senador. De acordo com Bezerra, o Congresso não funciona se não forem atendidos os pleitos dos deputados. Agi como político porque sem esse tipo de entendimento não passa nada e como líder de bancada Pedrinho poderia obstruir o processo, disse.
Pedrinho Abrão era líder do PTB e foi substituído quando o ministro Gustavo Krause o denunciou por tentativa de extorsão. Ele teria tentado cobrar 4% de comissão da empreiteira Andrade Gutierrez para manter no Orçamento verba de R$ 42 milhões para o açude Castanhão, no Ceará.
De acordo com o relator, Abrão havia apresentado seis emendas ao projeto de lei nº 90, do Executivo, para liberação de R$ 76,1 milhões de crédito suplementar ao Orçamento deste ano para a área da saúde e saneamento. As propostas do deputado goiano somavam R$ 14,3 milhões.
Como não era possível atender a todos os pedidos do líder do PTB por causa das solicitações de outros parlamentares - foram apresentadas 66 emendas ao projeto original, das quais 18 acatadas -, Bezerra pediu que Abrão desse prioridade a uma de suas solicitações.
Abrão, disse o relator da Comissão de Orçamento, escolheu a emenda que destinava R$ 1 milhão para a construção e equipamento do hospital de Niquelândia. Mas para aceitar o cancelamento de seus demais pedidos, ele (Abrão) pediu que a verba fosse aumentada para R$ 3,5 milhões, disse. Como eu não tinha condições de determinar um valor, mandei que ele negociasse com minha assessoria técnica, que aprovou a liberação.
O dinheiro para atender a solicitação seria retirado da verba de R$ 12 milhões solicitada pelo Ministério da Saúde para manutenção do Grupo Hospitalar Conceição. O projeto de suplementação, com a emenda de Pedrinho, foi aprovado pela Comissão do Orçamento por unanimidade, lembrou Bezerra.
Isso foi no dia em que estourou o escândalo, acrescentou, referindo-se à denúncia de cobrança de comissão. O deputado goiano teria exigido 4% para manter a verba prevista para a construção do Açude do Castanhão, no Ceará.
O trabalho de investigação para apurar a responsabilidade de Abrão no caso Castanhão fez com que Bezerra mudasse de opinião a respeito do acordo e recuasse. Durante a votação do projeto pelo Congresso, na quarta-feira, o relator recomendou a retirada da emenda que beneficiava Niquelândia.
A 300 quilômetros de Brasília, no município de Niquelândia (GO), causou surpresa entre os políticos a informação de que emenda de crédito adicional, aprovada na Comissão Mista de Orçamento, previa R$ 3,5 milhões para a construção de um hospital na cidade. O atual prefeito, Valdeto Ferreira Rodrigues (PL), e o eleito, deputado estadual Luiz Teixeira Chaves (PSD), desconhecem qualquer projeto de construção neste valor.
Não tinha conhecimento dessa emenda e não há plano nenhum aqui para isso, disse o prefeito Valdeto Ferreira Rodrigues. O eleito Luiz Teixeira Chaves, que assume dia 1º de janeiro, se disse supreendido. Não sei porque ela foi apresentada.
Reduto eleitoral do deputado federal Pedrinho Abrão (PTB-GO), Niquelândia tem cinco hospitais particulares e um da prefeitura.


