Senador é ironizado ao mostrar supostas provas contra Dirceu
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terça-feira, 02 de março de 2004
Agência Folha 
Brasília - O mundo político parou ontem em Brasília diante da expectativa - logo frustrada - de que o senador Almeida Lima (PDT-SE) cumprisse a promessa apresentada publicamente na tarde da segunda-feira: apresentar uma suposta prova de que o ministro José Dirceu (Casa Civil) teria conhecimento das atividades ilícitas do seu ex-assessor Waldomiro Diniz e que trabalhara para ''abafar'' o caso.
O documento que Lima classificou como prova é um relatório da Polícia Federal, parte de um inquérito no qual a gestão de Waldomiro como presidente da Loterj também é investigada. As provas seriam notícias de imprensa reproduzidas no relatório segundo as quais o ministro Dirceu teria desencadeado uma operação abafa para impedir o prosseguimento da investigação.
Responsável pelo inquérito, o delegado Herbert Mesquita compilou as notícias. Mas, ao final do relatório parcial da apuração que começou em 2001, não há menção a nenhum indiciamento. O principal gesto da operação abafa seria um telefonema de Dirceu - em maio ou junho do ano passado - para o secretário de Segurança do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, no qual teria tentado evitar que o inquérito seguisse seu rumo.
Na tribuna do Senado - da qual chegou a dizer, no início do discurso, que preferiria não fazer o pronunciamento - Lima leu partes do relatório, que foi recebido com frieza e risadas.
As críticas foram gerais. Governo e aliados atribuíram ao que chamaram de ''irresponsabilidade'' do pedetista o maior gesto em defesa de Dirceu até o momento. Primeira a falar, a líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), chegou ao limite da agressividade - tom que ela mesma reconheceria mais tarde. ''É deprimente o espetáculo que esse plenário acaba de assistir. A montanha rugiu, rugiu e nem um rato pariu. Porque dos ratos pelo menos partes são aproveitadas como cobaias.''


