Senador do PT admite que governo tentará barrar CPI
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quinta-feira, 18 de maio de 2006
Cida Fontes e Denise MadueÀo<br>Agência Estado 
Brasília - O Palácio do Planalto vai operar para derrubar a CPI da Sanguessuga. A interpretação é que a oposição pretende usar as investigações para atacar o governo, vez que a maior parte dos envolvidos pertencem a partidos da base aliada. Ontem, um grupo de parlamentares entregou ao primeiro vice-presidente do Senado, senador Tião Viana (PT-AC), requerimento para a instalação da CPI Mista que pretende investigar supostos envolvidos no esquema de fraude de licitação e compra superfaturada de ambulâncias para municípios usando recursos do orçamento da União, esquema conhecido por sanguessuga. O requerimento obteve assinatura de 229 deputados e 31 senadores.
O próprio Viana deu a senha de que o Planalto não tem interesse nas investigações. ''A oposição vai querer usar a CPI para desgastar a relação da base com o governo'', analisou Viana, integrante ele mesmo da CPI dos Bingos. A quantidade de suspeitos na Câmara é o principal fator a inibir à investigação.
O deputado Chico Alencar (P-SOL-RJ) afirmou que o fato de estar em ano eleitoral não significa que o parlamentar não deva exercer plenamente o seu mandato. Ele defendeu que a CPI trabalhe nestes cinco meses que antecedem as eleições adotando um caráter técnico e fugindo de disputas partidárias. ''Quero comissão interna, externa, da sociedade civil, do Ministério Publico, quero tudo que possa investigar. O que eu não suporto é abrir o jornal e ler que na Casa onde trabalho tem gente recebendo dinheiro em mala, em cuia, meia, cueca'', disse
Ontem o senador Almeida Lima (PMDB-SE) protocolou um requerimento de criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar ''os fatos que envolvem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em que ele se beneficia de dinheiro de origem não esclarecida, manipulado por Paulo Okamoto, já no exercício da presidência da República.'' O requerimento está assinado por 41 dos 81 senadores. Okamoto teria pago ao PT um empréstimo feito a Lula no valor de R$ 24.900.


