Brasília - Depois de duas semanas de trégua, o presidente da CPI do Banestado, senador Antero Paes de Barros (PSDB-AM), subiu à tribuna ontem para responsabilizar o governo pela ''devassa'' feita pela comissão nos sigilos bancário e fiscal de pessoas sem indícios de irregularidades. Com o discurso, a CPI voltou a ser palco de tiroteio entre governistas e oposição, o que tem paralisado os trabalhos do Senado.
''A CPI vem sendo criticada pela devassa na vida de pessoas sem indícios que justificassem a quebra de seu sigilo e por requisitar documentos que não são objeto de investigação. A questão é grave, mas não aceito que seja vista como uma estratégia da CPI. É de setores do governo'', disse ele.
Além da disputa política, a CPI é acusada de vazamento de informações e de procedimentos irregulares como a quebra de sigilos bancário e fiscal em bloco, - o que contraria decisões anteriores do STF (Supremo Tribunal Federal), para o qual esses pedidos têm que ser apresentados individualmente. Os pivôs da crise são Paes de Barros e o relator, deputado José Mentor (PT-SP).
A oposição tem acusado os governistas de montarem um banco de dados com as informações da CPI. Em dezembro do ano passado, pelo menos 29 banqueiros e executivos do mercado financeiro tiveram seu sigilo fiscal quebrado sem justificativa. Esse requerimento é de Mentor, mas teve o aval de Paes de Barros.
Para embasar a acusação feita na tribuna o presidente da comissão listou uma série de procedimentos do relator petista, como a requisição da quebra de sigilo de todas as operações de câmbio do Banco Central entre 1996 e 2002, e o cadastro de todas as empresas estrangeiras que tenham participação em empresas brasileiras.

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