O senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) disse ontem que não atacará o presidente Fernando Henrique Cardoso em sua volta, amanhã, à tribuna do Senado, para fazer um discurso cobrando providências do governo federal. ‘‘Não será um discurso de ataques contra o presidente, serão apenas cobranças de um aliado’’, afirmou.
ACM não quis adiantar o teor do texto, mas contou que será longo. ‘‘São tantas cobranças, sobre tantos assuntos do governo, de ministérios, que acho até que vou fazer esse discurso em parcelas’’, disse. O discurso está sendo aguardado com ansiedade nos meios políticos, pois será um indicador do rumo que o senador pretende dar às suas relações com o Palácio do Planalto.
Na semana passada o líder do governo no Congresso, Arthur Virgílio (PSDB-AM) anunciou que o governo poderia demitir os dois ministros indicados por ACM, o da Previdência Social, Waldeck Ornelas, e de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, e de outras autoridades de segundo escalão, caso o senador insistisse nos ataques contra o presidente da República. O Planalto decidiu esperar até o carnaval para que o PFL chegue a um entendimento com ACM sobre a reorganização da base governista.
O senador rebateu, com ironia, a avaliação de que o ‘‘carlismo’’ está em decadência na Bahia, com a debandada de alguns pefelistas para a oposição. ‘‘Há 63 deputados na Assembléia de Salvador, sendo 42 nossos e 21 da oposição; isso é supremacia oposicionista?’’, questionou o senador. Em sua avaliação, a oposição está crescendo pouco em seu Estado. ‘‘Foram apenas cinco deputados que saíram’’, frisou.

mockup