A nomeação da diretora de Fiscalização do Banco Central, Tereza Grossi, para assumir interinamente a presidência do BC durante ausência de Armínio Fraga, que viajará amanhã para os Estados Unidos e Europa, provocou críticas no Congresso. ‘‘Essa decisão mostra o desprezo de Armínio Fraga ao Judiciário e ao Legislativo’’, afirmou o senador Pedro Simon (PMDB-RS), que considerou ter sido um ‘‘ato de força e desrespeito’’ do presidente do BC.
O senador Pedro Simon é um dos políticos que mais condenam a manutenção de Grossi na diretoria do BC, desde que sua participação na operação de socorro aos bancos Marka e FonteCindam foi apontada na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado que investigou irregularidades no sistema bancário. Segundo o senador, o fato de o BC não ter o cargo de vice-presidente contribui para que Armínio Fraga tenha a autonomia de designar seu substituto. ‘‘Mas seria até uma questão de elegância da parte do presidente nomear outra pessoa que não fosse Tereza Grossi’’, acrescentou o senador do PMDB.
Tereza Grossi está sob investigação do Ministério Público por conta de sua participação na injeção de recursos aos bancos, em janeiro de 1999. O socorro teria causado prejuízos de cerca de R$ 1,6 bilhão aos cofres públicos. Só esse fato, no entender do senador, já seria motivo para impedir sua presença à frente do BC. ‘‘Mas o ato de Armínio Fraga mostra que que ela é forte no esquema do BC’’, comentou.

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