O presidente reeleito do PMDB paranaense, Roberto Requião, criticou ontem a estratégia do presidente Fernando Henrique Cardoso para impedir a instalação da CPI da Corrupção na Câmara Federal, mas acredita que ela tem chances de a comissão ser instalada no Senado. ‘‘Quem não assinar o requerimento ficará sob suspeita de querer encobrir algo’’, disse. Ele acredita que as denúncias publicadas na revista ‘‘Veja’’ desta semanadevem convencer os mais renitentes. ‘‘O governo deve tentar impedir a instalação da CPI no Senado, mas sempre que faz isso, se compromete e cada vez se desmoraliza mais.’’
Requião também questionou a posição dos 16 senadores da Comissão de Ética – que na quarta-feira pode abri processo de cassação dos senadores Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e José Roberto Arruda (sem partido-DF) – e que ainda não assinaram o pedido de CPI para investigar as denúncias de irregularidades no governo federal. Ele defende a cassação dos dois colegas acusados de violar o painel de votações do Senado, mas ressalta que antes dessa decisão ser anunciada, ACM e Arruda podem optar pela renúncia.
O senador disse que ACM e Arruda devem ser cassados pelo ‘‘conjunto da obra’’, não somente pela violação do painel, mas pelas mentiras de ambos ao plenário e à Comissão de Ética. Em todos os depoimentos, ACM e Arruda tentaram se eximir da responsabilidade e culpar a ex-diretora do Serviço Processamento de Dados do Senado (Prodasem), Regina Borges, pela fraude. ‘‘O que também me faz pedir medidas duras para os dois foi a tentativa de incriminar somente a funcionária do Prodasem’’, disse. (R.H.)

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