Senador chama presidente da CEF de 'malandro'
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 27 de outubro de 2005
Hudson Corrêa<br>Folhapress 
Brasília - O senador tucano Tasso Jereissati (CE), que em novembro assume a presidência do PSDB, acusou ontem na CPI dos Bingos o presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Mattoso, de ter agido como ''malandro'' na renovação de um contrato com a multinacional GTech em abril de 2003 para operação das loterias federais. A afirmação gerou um bate-boca. A CPI investiga se o contrato da GTech foi renovado graças à atuação ilegal de Rogério Buratti, ex-secretário de Governo do ministro Antonio Palocci (Fazenda) em 1994, quando ele era prefeito de Ribeirão Preto (SP), e de Waldomiro Diniz, ex-assessor da Casa Civil.
Segundo a GTech, Buratti e Waldomiro tentaram extorquir R$ 6 milhões para atuar em favor da renovação. Buratti diz ter sido procurado pela multinacional que, segundo ele, ofereceu até R$ 16 milhões ao PT em troca de Palocci interferir no negócio. O ex-secretário afirma que o ministro não aceitou. O contrato foi renovado em 8 de abril de 2003.
A acusação do senador tucano contra Mattoso gerou um bate-boca com a senadora Ideli Salvatti (PT-SC), durante a sessão da CPI onde também eram interrogados os ex-presidentes da Caixa Sérgio Cutolo (de 1995 a 1999) e Emílio Carazzai (1999 a 2002). O primeiro contrato com a GTech foi assinado em 1997.
Jereissati perguntou a Mattoso se os dois diretores da Caixa Econômica que negociaram com a GTech em 2003 entendiam de jogos. Irônico, Mattoso respondeu que eles sempre jogavam em loterias. ''Eles fizeram um dos piores negócios da história da Caixa. Até este momento eu estava achando que era pura incompetência de vossa senhoria. Agora estou começando a desconfiar que não foi incompetência. A maneira como está me respondendo me parece uma maneira de malandro'', afirmou o tucano.
Salvatti quis intervir. Jereissati rebateu de pronto: ''A senhora não tem condições de criticar porque a senhora até pessoas mortas aqui ofendeu''. Ele se referia ao ex-senador tucano José Richa, morto em dezembro de 2003, que teria atuado como lobista da GTech.
A senadora havia citado Richa ao mencionar suposta interferência política na administração de Carazzai no governo Fernando Henrique Cardoso. Ela citou o ofício enviado à presidência da Caixa pela deputada tucana Zulaiê Cobra (SP) em abril de 2001 pedindo que fosse permitida a participação da GTech em uma licitação.
Carazzai respondeu que nunca houve interferência política. Ainda irritado, Jereissati prosseguiu no ataque a Mattoso. Afirmou que a ''GTech teve o maior lucro de sua história graças ao negócio feito'' pelo presidente da Caixa.


