Depois do duro golpe sofrido ontem no Conselho de Ética, o senador Antonio Carlos Magalhães fez uma avaliação no início da noite com alguns interlocutores e já admitia que seria praticamente impossível reverter o processo de cassação. ACM começou a avaliar qual seria o melhor tom para o discurso de sua renúncia.
Antes disso, ACM dará sua última cartada: tentar reverter na Mesa o relatório de Saturnino Braga, que pediu a cassação de ACM e de José Roberto Arruda. Mas a mobilização será um jogo de cena. Numa entrevista no início da noite, ele já admitia publicamente a possibilidade de renunciar ao mandato. ‘‘Não estou pensando em renúncia, mas seria hipócrita de não admitir que ela possa existir’’, disse. ‘‘Vou esperar a decisão da Mesa até o último minuto.’’
O senador foi além e garantiu que vai disputar as eleições do ano que vem. ‘‘Não há dúvida que vou concorrer; não vou perder meus direitos políticos.’’ Já era a segunda declaração no mesmo dia admitindo a renúncia.
Reconhecendo que ficará sem mandato e sem imunidade parlamentar, ele agora avalia qual será a melhor opção: ou passa a fazer oposição radical ao governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, alinhando-se à oposição, ou vai para um ‘‘exílio’’ na Bahia, respeitando a posição governista do PFL. Temendo a transformação de ACM num franco-atirador, o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), iniciou uma operação de guerra para evitar o oposicionismo.
Já o senador Arruda fez um apelo para receber uma pena mais branda e insinuou, na tentativa de sensibilizar os colegas, que a lista secreta de votação eletrônica pode ter ido parar nas mãos de outros senadores. Depois da decisão que recomenda a perda do mandato, Arruda mandou avisar que não entregaria a carta de renúncia sem antes acompanhar os desdobramentos do caso no Senado. ‘‘Vou esperar a tramitação e os encaminhamentos da Mesa em relação ao caso’’, disse Arruda, por meio da assessoria.
O senador voltou a admitir que cometeu uma ‘‘falha regimental’’ ao se envolver no episódio de violação, mas defendeu a aplicação de uma pena proporcional ao delito. ‘‘Pelo menos, tive vergonha na cara’’, declarou, depois do discurso. ‘‘Aplicá-la (a cassação) a culpas menores não seria banalizar o seu uso, desqualificar os outros instrumentos de punição, igualmente graves, existentes no regulamento?’’, questionou.

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