Questionado ontem, no depoimento ao Conselho de Ética, pelo relator Saturnino Braga (PSB-RJ) se posteriormente repreendeu Regina Borges pela violação do painel, o senador Antonio Carlos Magalhães disse: ‘‘Pude fazer alguma admoestação, mas não quis demiti-la. Admoestei’’.
ACM confirmou ter telefonado de Miami, em março, para Regina Borges quando ela deixou a direção do Prodasen. Diz que, na ocasião, não falou do assunto do painel. Ele também confirmou um encontro com Regina Borges na casa de sua secretária Izabel Flecha de Lima. Diz que a reunião durou ‘‘de oito a dez minutos’’ e que a violação do painel foi tratada apenas ‘‘de raspão’’.
Apesar de elogios que fez à competência profissional de Regina, ACM elencou decisões administrativas da ex-diretora com as quais não concordou e descreveu seu ‘‘delicado estado de saúde’’ para justificar supostas lacunas em seu depoimento.
Sobre a conversa com três procuradores da República, em fevereiro, ACM disse que é ‘‘quase toda falsa e forjada’’. A respeito da alusão ao voto de Heloísa Helena, disse que a situação foi provocada pelo procurador Luiz Francisco de Souza. O senador negou que tenha afirmado que a petista votou contra a cassação de Luiz Estevão. ‘‘Pela sua atuação, acredito que a senadora votou a favor da cassação’’, afirmou.
O senador ACM teve a defesa aberta dos senadores baianos Waldeck Ornélas e Paulo Souto, ambos do PFL. ‘‘O pecado original não partiu do senador Antonio Carlos Magalhães’’, disse Ornélas. Diante da crítica do relator Saturnino Braga (PSB-RJ), de que estava sendo ‘‘mais realista que o rei’’, Ornélas respondeu: ‘‘Respeitem meu direito de prestar apoio ao senador Antonio Carlos Magalhães’’.
Aos senadores que duvidavam de suas afirmações, ACM pedia respeito, insinuava razões de caráter pessoal e insinuava a possibilidade de revelar fatos que conhecia do parlamentar.
As reações dos parlamentares dos demais partidos eram de descrença no depoimento de ACM. ‘‘Se depender de Vossa excelência, a corda está colocada em volta do pescoço do senador Arruda’’, disse Ney Suassuna (PMDB-PB). ‘‘Não me sinto convencida, e duvido que a sociedade brasileira esteja’’, disse Marina Silva (PT-AC).

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