Brasília - Depois de enfrentar um ano de desgaste político provocado pela crise envolvendo o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), o Senado Federal vai priorizar em 2008 o chamado ''resgate ético'' da Casa Legislativa. Com a imagem arranhada após o episódio - que se arrastou de maio até dezembro deste ano - os senadores querem agora retomar a credibilidade perdida ao longo de 2007.
''Queremos construir no ano que vem um Senado melhor do que foi este ano. Vamos trabalhar duro em 2008. É fundamental restabelecer uma nova dinâmica de trabalhos no Legislativo, sem a tentativa de cooptação do governo'', disse o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE).
Grande parte dos senadores avalia que, com o fim do episódio envolvendo o ex-presidente da Casa, o Senado terá condições de retomar a agenda de trabalhos legislativos - que ficou praticamente parada ao longo de 2007. ''Temos que pensar em uma agenda para 2008. A votação da CPMF mostra que o Senado poderá também ser mais independente'', afirmou o senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR).
Para o senador Edison Lobão (PMDB-MA), 2007 foi ruim para a imagem da Casa. Ele defende, porém, que a Câmara também retome a agenda de trabalhos após a paralisia deste ano. ''Foi um ano muito ruim para o Senado, não podemos negar isto. A reforma tributária foi votada no Senado e enviada à Câmara. Até agora, não pôde ser examinada. O Senado tem procurado cumprir o seu papel, esperamos que a Câmara também consiga um pouco mais de agilidade.''
O novo presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), prometeu adotar um pacote de medidas no início do ano para agilizar os trabalhos - entre elas, recriar as comissões que analisam as medidas provisórias enviadas pelo Executivo.
As comissões, previstas pelo regimento do Senado, têm autonomia para rejeitar MPs enviadas pelo Executivo, o que na prática pode reduzir o excesso de medidas provisórias em tramitação.

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