Senado tenta preencher vaga de Jader
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segunda-feira, 08 de outubro de 2001
Rosa Costa<br> Agência Estado<br> De Brasília 
O presidente do Senado, Ramez Tebet (PMDB-MS), inicia hoje os procedimentos para preencher a vaga aberta com a renúncia de Jader Barbalho (PMDB-PA) na sexta-feira. Mesmo sabendo que o primeiro suplente e pai do ex-senador, Laércio Barbalho, não pretende assumir, Tebet é obrigado a convocá-lo.
Laércio também deve renunciar ao mandato para que o segundo suplente, Fernando de Castro Ribeiro, possa assumir. A convocação é feita por intermédio de carta de apenas sete linhas. A carta não foi encaminhada ontem porque faltou a assinatura do presidente do Senado. Tebet passou o dia em São Paulo, retornando a Brasília apenas à noite.
Os dois suplentes de Jader Barbalho são citados pelo Ministério Público como beneficiários do ex-senador no processo que investiga o desvio de recursos do Banco do Estado do Pará (Banpará). O montante do desfalque equivaleria hoje a R$ 32 milhões.
Laércio, de 83 anos, tem a saúde debilitada e há cerca de dois meses avisou que não assumiria a vaga. Fernando não queria abandonar seus negócios na Ilha do Marajó, onde explora uma fazenda ecológica, mas Jader o convenceu a mudar de opinião. Ele é ex-deputado e ex-secretário particular do ex-presidente do Senado.
Fernando Ribeiro corre o risco de ser indiciado pelo Ministério Público antes mesmo de assumir, como um dos envolvidos do caso Banpará. A pressa dos procuradores se explica: no momento em que ele chegar ao Senado e se beneficiar da imunidade parlamentar, o processo terá de ser transferido para o Supremo Tribunal Federal (STF), onde tramitará num ritmo mais lento.
O presidente do Conselho de Ética, senador Juvêncio da Fonseca (PMDB-MS), evita conversar sobre a possibilidade do correligionário ser investigado por quebra de decoro parlamentar, a exemplo do que ocorreu com Jader. Os senadores do bloco da oposição, além de divididos, têm dúvida sobre a conveniência em assumir novamente, como no caso Jader, a autoria da denúncia contra o colega.


