O projeto de lei que muda o artigo 618 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e permite que convenções e acordos coletivos de trabalho se sobreponham à lei não será votado pelos senadores neste ano. O líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), disse ontem ao presidente Fernando Henrique Cardoso que seu partido se recusa a assinar o pedido de urgência urgentíssima para que a proposta possa ir diretamente para o plenário.

''Queremos debater essa proposta de mudança da CLT e não aceitamos conceder a urgência'', disse Calheiros, depois do encontro com FHC. Na Câmara, a votação foi vencida pelo governo por uma diferença de 51 votos.

Para o senador Gilberto Mestrinho (PMDB-AM), o fato de o projeto que muda a CLT só começar a ser discutido a partir de março é bom porque haverá tempo para que todos sejam esclarecidos a respeito das intenções do governo. ''Acho que, quando não houver mais dúvidas, o projeto será votado'', disse Mestrinho.

O presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, Bernardo Cabral (PFL-AM), disse que nomeará o relator do projeto assim que as mudanças na CLT chegarem à comissão. Mas adianta uma certeza: ''O governo vai passar o rolo compressor e aprovar a proposta''.

mockup