Brasília - Na tentativa de atender às expectativas do governo de aprovar as reformas previdenciária e tributária ainda este ano, o Senado vai trabalhar em ritmo de esforço concentrado a partir da próxima segunda-feira. O novo calendário foi adotado um dia após encontro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e líderes partidários. Durante a reunião, realizada na noite de anteontem no Palácio do Planalto, Lula reiterou o pedido para que as reformas sejam aprovadas ''o mais rapidamente possível''.
O calendário estabelecido pelo Palácio do Planalto prevê que a tramitação da reforma da Previdência seja concluída em 15 de novembro e a da tributária, em 17 de dezembro. Se precisar, o governo usará o chamado ''rolo compressor'' e enfrentará a oposição com a folga de 54 votos, contados nos dedos pelo ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, conforme informam parlamentares da base aliada. Nos últimos dias, Lula tem dito repetidas vezes que as reformas precisam ser aprovadas até o fim do ano, mesmo que para isso seja necessário sacrificar seu tamanho.
O presidente Lula tem apontado outra preocupação, nas últimas conversas com os políticos: não afetar o clima de confiança que o Brasil obteve no exterior, justamente graças ao compromisso de aprovar as reformas.
Pelo acerto de Sarney com alguns líderes, haverá sessão deliberativa no plenário, destinadas a votações, todos os dias úteis, e não apenas nas terças, quartas e quintas-feiras. A iniciativa gerou protestos em plenários de senadores que não foram consultados sobre a proposta. O líder do PTB, Fernando Bezerra (RN), alegou que não foi ouvido. Também ficaram de fora, os líderes do PSB, Antonio Carlos Valadares (SE), e do PL, Magno Malta (ES). Para Valadares, essa ''discriminação'' compromete o entendimento dos participantes do bloco aliado.

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