Brasília - O plenário do Senado rejeitou, ontem, medida provisória que dispõe sobre a reestruturação de carreira e remuneração dos funcionários da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Na prática, a decisão do plenário significa a revogação da MP. A decisão de revogação da MP é inédita e foi tomada em comum acordo entre as lideranças do PT e dos partidos de oposição ao futuro governo. O PT, por meio de seu líder, senador Eduardo Suplicy (SP), comprometeu-se a examinar as alterações propostas pelo relator da MP, senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT), e encaminhar as correções ao Congresso no próximo governo.
Antero Paes de Barros havia elaborado um projeto de conversão à medida provisória propondo mudanças ao texto original do Executivo e já aprovado na Câmara. A aprovação desta proposta implicaria o retorno da MP à Câmara, trancando a pauta da Casa e dificultando ainda mais a estratégia do PT de votar ainda este ano o Orçamento de 2003 e outras matérias de interesse do futuro governo.
Diante do apelo do PT, o relator desistiu de apresentar sua proposta e a MP foi rejeitada. ''É um voto de confiança ao governo do PT. Mas vamos cobrar o compromisso'', disse o vice-líder do governo, senador Romero Jucá(PSDB-RR).
O líder do PSDB, senador Geraldo Mello (RN), disse que seu partido estava tomando uma atitude de ''colaboração'' com o PT. ''Estamos procurando ajudar o PT a cumprir seus objetivos, mas temos o direito de deixar claro que fizemos este acordo porque o PT nos garantiu que as injustiças e as correções da MP serão feitas'', afirmou.

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