Brasília - Afastado de Brasília desde quinta-feira, o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), mandou um recado claro aos opositores e ao governo. Renan afirmou que a permanência na presidência do Senado foi referendada com a absolvição na semana passada e que a aprovação da prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) é questão do País, mas não dele. ''Licença, férias, isso nunca existiu. Até terça-feira (véspera da absolvição no Plenário) a decisão (de sair ou não do cargo) era minha. Depois de quarta-feira, a decisão com relação à minha inocência e à permanência no Senado é do Senado. Em todo parlamento democrático do mundo, é assim: cabe à maioria decidir e à minoria entender, compreender.''
Ele escapou da cassação por quebra de decoro na quarta-feira, com 40 votos pela absolvição e seis abstenções. Apenas 35 dos 81 ssenadores defenderam a condenação de Renan.
O presidente do Congresso chegou ao Legislativo às 14 horas e não quis confirmar um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que havia sido pedido por ele depois da absolvição pelo plenário. ''Eu falo com o presidente toda vez que é necessário e com muita naturalidade. Mas não há nada urgente para conversar. Eu ligo para ele, ele liga para mim. Nunca houve dificuldade'', afirmou. Nos bastidores, interlocutores de Renan trabalharam para que o encontro não fosse realizado ontem com o objetivo de evitar pressão do governo na tentativa de tirá-lo da presidência do Parlamento.
Mandando um recado direto para a administração federal, o presidente do Senado afirmou que sempre tem colaborado com a governabilidade, ao ser perguntado sobre a aprovação de uma proposta de emenda constitucional (PEC) para prorrogar a CPMF até 2011. ''O País precisa disso. Vou colaborar no que puder, mas esse problema de CPMF não é do presidente do Senado. É um problema de governo, e que tem de ser tratado pelos partidos, líderes, senadores, não pelo presidente do Senado'', avisou.
À noite, o senador do PMDB de Alagoas repetiu em plenário frase que dissera antes. ''Na democracia, a maioria decide e a minoria concorda.''(Colaborou Tânia Monteiro)

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