O Senado deve ficar mais forte na legislatura que começa nesta segunda-feira. Não apenas por continuar sob o comando de Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) - que gostem ou não dele, é sem dúvida o mais influente líder da política brasileira - mas também pela presença de 27 ex-governadores na sua bancada. A maior parte dos senadores que já passaram pelos governos mantém uma boa parcela de poder nos Estados e, não raro, na própria Câmara.
O perfil da bancada será tão ponderado como o dos últimos quatros anos. A opinião dos líderes é que as atividades da Casa nos últimos anos serviram para reforçar suas credenciais na solução dos problemas nacionais.
‘‘Com certeza vamos manter a mesma linha de ação’’, previu o líder do PMDB, Jader Barbalho. O líder do PSDB, Sérgio Machado, alegou que não há razão para mudar de rumo, sem que a sociedade tenha se manifestado da mesma maneira. ‘‘Não houve mudanças que justificassem um novo perfil’’, constatou. Para o professor de Ciências Políticas da Universidade de Brasília (UNB), David Fleischer, embora a renovação tenha sido de apenas 22 senadores - cinco renovaram o mandato - o Senado vai ocupar um espaço político ainda maior.
Ele entende que o fortalecimento vai resultar no empenho dos senadores - ex-governadores, a começar por ACM - pela realização da reforma tributária. Um tema defendido por inúmeros setores do País, mas que ainda assim, na última legislatura, ficou à reboque de outras matérias de interesse do governo. ‘‘Eles continuam ligados na gestão estadual’’, afirmou. Fleischer não duvida que no segundo mandato, ACM volte ‘‘com poder dobrado’’, graças a sua desenvoltura do governo e à capacidade de ‘‘saber mandar’’.
Pesa ainda a favor do Senado o fato de estar com a sua pauta de votação limpa. Os senadores aprovaram e mandaram para a Câmara matérias importantes, como a limitação das medidas provisórias e o efeito vinculante, que obrigará a Justiça de primeira instância a seguir as sentenças do Supremo Tribunal Federal (STF) em ações semelhantes. Os dois assuntos estão na Câmara, sem que haja previsão sobre a sua votação. Os senadores também se destacaram ao encabeçar, no ano passado, a votação da prorrogação e do aumento da alíquota da Contribuição Provisória Sobre Movimentação Financeira (CPMF).
O assunto, na época, foi considerado de difícil aprovação na Câmara, que coincidentemente agora, com o crescimento da crise, justificou a autoconvocação do Congresso, para votá-lo como primeiro item da nova pauta de trabalho.

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