Arquivo FolhaEfeito bumerangueEsperidião Amim: ‘‘Esse pessoal foi massa de manobra de algum malandro’’A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE) vai devolver para o Ministério da Fazenda todos os pedidos de empréstimos externos feitos pelo Paraná e que estavam bloqueados na comissão. A decisão foi tomada ontem por solicitação do senador Esperidião Amin (PPB-SC), como represália ao ‘‘lobby’’ da caravana de empresários, políticos e sindicalistas do Estado que foram a Brasília, na última quarta-feira, pressionar a liberação dos empréstimos.
Os empréstimos só poderão ser reapresentados se o governo do Estado tornar público os contratos firmados com a Renault e com as outras montadoras de veículos (Chrysler e Audi) e encaminhar o balanço do Estado referente a 96. Amin baseou-se na resolução 96/89 para justificar o seu requerimento.
A Comissão vem solicitando, sem sucesso, desde o dia 3 de dezembro passado essas informações do Paraná. O Ministério da Fazenda pode, já nos próximos dias, solicitar cópias dos contratos exigidos pelo Senado ou devolver os pedidos de empréstimos diretamente para o Palácio Iguaçu.
‘‘Esse pessoal foi massa de manobra de algum malandro. Foram ludibriados por alguém do Paranᒒ, declarou o senador. Amin admite que a devolução dos pedidos foi uma reação ao movimento, encabeçado pelo prefeito de Curitiba, Cássio Taniguchi (PDT), e pelo presidente da Fiep (Federação das Indústrias do Paraná), José Carlos Gomes de Carvalho. ‘‘Não se trata de um negócio isolado do senador Osmar Dias e sim do Senado como um todo’’, justificou.
A maioria dos senadores da CAE, procurados na quarta pela caravana, reclamou ontem da pressão dos empresários. Os senadores alegam que os ‘manifestantes’ desconheciam que os projetos só não foram votados pelo Senado porque o Paraná não repassou as informações. Até o líder do presidente Fernando Henrique no Senado, Élcio Alvares (PFL-ES), considerou uma afronta ao Senado da República a abordagem feita por alguns integrantes da comitiva ao senador Osmar Dias, que chegou a ser xingado. O pefelista diz ter ligado diversas vezes ao governador Jaime Lerner (PDT) pedindo as informações.
Osmar Dias, um dos ‘alvos’ da caravana, voltou a criticar ontem o governo estadual na reunião da CAE. Apresentou um estudo revelando que o Paraná tem um saldo de US$ 370 milhões em empréstimos já contratados e que não estão sendo utilizados pelo governo por falta de contrapartida. ‘‘O que demonstra a absoluta incompetência do governo que quebrou o Paranᒒ, dispara.
No relatório, o senador tucano diz que estão disponíveis no Senado US$ 30 milhões do programa destinados à recuperação de rodovias, firmado com o BID; US$ 192 milhões para o Paraná Urbano; US$ 74 milhões para o Prosan; e US$ 78 milhões para o Ensino Básico. ‘‘A prova da falência ficou comprovada quando o governo não conseguiu dar a contrapartida aos empréstimos do Prosan e do Ensino Médio, o que rendeu um multa (taxa de permanência) no Banco Mundial de US$ 1,9 milhão’’, acusa.
Osmar Dias voltou a cobrar de Lerner resposta às suas denúncias de superfaturamento de obras e o pagamento de algumas que sequer foram realizadas. ‘‘Enquanto Lerner não esclarecer à população do Paraná todas as denúncias de corrupção de seu governo, ele (o governador) não tem autoridade para pedir empréstimos’’, provoca.

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