Arquivo FolhaDefensorO senador Roberto Freire (PPS-PE), um dos favoráveis à reforma administrativa interna no SenadoÉ como se fosse uma reforma administrativa interna. Se for aprovada, serão extintos no Senado 232 cargos vagos imediatamente e 447 quando vierem a vagar, além de 491 funções comissionadas vagas e 546 quando estiverem desocupadas. De um lado, para aprovar as mudanças, estão os senadores que se queixam da imposição de ter que preencher os principais cargos do gabinete com servidores efetivos da Casa. Muitos dos quais, conforme alegam, querem mesmo é ficar ‘‘encostados’’ e não trabalhar. Do outro, está uma boa parte dos 2.292 servidores, representados pelo sindicato que reúne a categoria, o Sindilegis.
O presidente do Sindilegis, Roberto Cavalcanti, diz que os servidores não concordam com essas mudanças e vão reagir. ‘‘O sindicato não tem por que aceitar o fim de vagas efetivas pela contratação de cabos eleitorais’’, argumentou. O projeto de resolução que promove as mudanças, de autoria do primeiro-secretário, Ronaldo Cunha Lima (PMDB-PB), será votado pelos integrantes da Mesa diretora na quinta-feira.
Segundo Cunha Lima, a reforma reduzirá imediatamente as despesas do cofre do Senado em R$ 593,83 mil por mês. Em curto prazo, a economia mensal será de R$ 1,55 milhão. O projeto prevê a criação de dois cargos de confiança, com salário de R$ 4,8 mil. Se o senador quiser, pode optar pela transformação de um desses cargos em até quatro cargos de assistente parlamentar, desde que a soma dos salários fique abaixo dos R$ 4,8 mil.
Roberto Cavalcanti advertiu que ninguém deve se enganar com o quadro de justificativas do projeto. Segundo eles, a autorização inicial para os senadores contratarem dois assessores de sua confiança não é definitiva. ‘‘Eles (os senadores) começam contratando dois servidores, mas amanhã pode acontecer como na Câmara, onde os deputados podem contratar até 16 pessoas pelos mesmos critérios’’.
Para o sindicalista, a alegação dos senadores de que muitos dos servidores efetivos não atendem aos gabinetes é ‘‘inaceitável’’. ‘‘É vergonhoso um senador dizer esse tipo de coisa’’, frisou.
O senador Roberto Freire (PPS-PE) é um dos que defendem as mudanças. Segundo ele, os gabinetes devem atender ao desempenho exigido dos parlamentares. Sua preocupação é que a contratação de mais dois servidores seja mal-utilizada. No Senado, segundo Cavalcanti, há ‘‘uma permuta’’ de parentes nas contratações. O caso mais gritante é o do senador Gilvam Borges (PMDB-AP), que defende a contratação de sua mulher e de sua mãe, dizendo que ‘‘uma dorme comigo, e a outra me pôs no mundo’’.

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