O presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), poderá ser alvo de novo processo de investigação do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar. Esta semana, o corregedor geral da Casa, Romeu Tuma (PFL-SP) encaminha ao conselho um dossiê mostrando o possível envolvimento de Jader nas fraudes na extinta Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam).

Documentos encaminhados pela Polícia Federal ao Senado mostram que Jader faria parte do esquema. Mais graves, comprovam que sua participação teria se dado quando já exercia o mandato de senador. Os papéis comprometem ainda mais a situação de Jader, que já foi investigado pelo envolvimento nos desvios do Banco do Estado do Pará (Banpará).

As acusações contra Jader não são novas, mas pela primeira vez trazem depoimentos comprometedores. Foram necessários seis meses de investigações para que a Polícia Federal chegasse a Jader e seu primo, o deputado federal José Priante (PMDB-PA), conhecido como executor das cobranças.

''Jader Barbalho e José Priante intercediam na Sudam para a liberação de recursos através da apresentação de projetos fraudulentos, sendo que, para tanto, recebiam parte dos recursos liberados'', afirma o empresário Danny Gutzeit, no depoimento em poder do Senado. Gutzeit foi um dos beneficiários de dinheiro público para um projeto em Altamira.

O dossiê não se limita aos depoimentos. Mostra cópias de cheques que seriam destinados a pagamento de contribuição eleitoral, principalmente em 2000, quando foi eleito o ex-funcionário de Jader, Domingos Juvenil, prefeito de Altamira, pelo PMDB, partido do senador. Alguns cheques estavam em poder de Regivaldo Pereira Galvão, agiota conhecido na cidade pela truculência.

O senador, conforme outro depoimento que irá para o Conselho de Ética apresentou o agiota para empresários, pedindo que Galvão liberasse R$ 600 mil para alguns projetos. O dinheiro, conforme documentou um topógrafo que prestou serviço ao grupo, seria usado para pagar propina na Sudam. Tudo teria ocorrido próximo ao período eleitoral.

O primo de Jader, José Priante, não fica atrás e também poderá ser investigado pela Câmara, que poderá colocar em prática, pela primeira vez, seu propalado Código de Ética. O deputado é acusado pela PF e pelo Ministério Público Federal como operador do senador nas negociações. Seu principal assessor, Irlendes do Carmo Vanzeler Rodrigues conhecido como ''Alemão'' era quem, segundo os depoimentos, recebia o dinheiro.

Jader responde a dois inquéritos da venda irregular dos Títulos da Dívida Agrária (TDAs), em andamento, e dos desvios do Banpará, que ainda se encontra no Supremo Tribunal Federal (STF). O da Sudam será o terceiro. Mas no Senado, até agora, apenas o caso Banpará poderá complicar a vida de Jader. E por pouco tempo, até que o Conselho de Ética receba os documentos das fraudes na Sudam.

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