O Senado poderá instalar uma CPI para apurar denúncias de corrupção e de outras irregularidades supostamente praticadas no Poder Judiciário. A criação da CPI está sendo articulada pelo presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), que ontem em Salvador também defendeu a extinção de braços do governo como forma de enxugamento da máquina administrativa. ‘‘Sou favorável a tudo o que for necessário para enxugar a máquina administrativa, até mesmo a extinção de ministérios, secretarias e cargos públicos’’, disse ACM. O senador voltou a pedir a extinção ‘‘de tribunais desnecessários que gastam R$ 3 bilhões por ano para não fazer nada’’. Ele disse que se referia, inclusive, ‘‘aos tribunais superiores, como o Militar’’.
A idéia de investigar o Judiciário surge dois dias depois de a AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros) ter apresentado interpelação judicial contra ACM no STF (Supremo Tribunal Federal). A AMB quer que o senador explique declarações atribuídas a ele de que há ‘‘muita corrupção’’ no Judiciário. Ao saber da interpelação, ACM afirmou que teria a chance de provar a existência de irregularidades no Judiciário.
Segundo senadores que conversaram com ACM, a intenção do presidente do Senado é transformar a possível CPI em fórum de um debate nacional sobre o funcionamento do Judiciário, que proponha uma reestruturação daquele poder. A assessoria do senador diz que ele tem recebido manifestações de populares sobre o assunto. O PFL também estaria recebendo denúncias contra o Judiciário ‘‘aos borbotões’’, segundo o deputado José Carlos Aleluia (BA).

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