Às vésperas da acareação, marcada para amanhã, às 14h30, na qual os senadores Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e José Roberto Arruda (sem partido-DF) e a ex-diretora do Prodasen Regina Borges serão pressionados a desfazer as contradições de suas versões sobre a violação do painel eletrônico, o Conselho de Ética se via ontem diante de um dilema: como realizar a sessão. O inusitado é provocado pelo simples fato de nunca o Senado ter vivido uma situação semelhante. A idéia é ouvir os três de uma só vez e evitar perguntas que fujam do que é considerado divergente.
O presidente do conselho, Ramez Tebet (PMDB-MS), e o relator do processo, Saturnino Braga (PSB-RJ), reconhecem ter dúvidas sobre o procedimento a ser adotado. Para buscar respostas, eles conversam hoje com os outros integrantes do conselho para reunir sugestões. Predomina a idéia de colocar os três (ACM, Arruda e Regina) para prestarem explicações de uma só vez, sentados na mesa ao lado do relator, do presidente e do corregedor-geral Romeu Tuma (PFL-SP).
Tebet e Saturnino serão os primeiros a perguntar, seguidos pelos demais senadores inscritos na sessão. O líder do PT, José Eduardo Dutra (AL), defende que se realize a acareação em etapas, por pares: ACM e Regina, depois a ex-diretora do Prodasen e Arruda e por último os dois senadores.
Para evitar que a reunião se estenda até de madrugada, Tebet enviou ofícios para todos os senadores pedindo sugestões (por escrito), o que apressaria a realização da acareação. ‘‘A vantagem da acareação é o olho no olho e a reação de cada um’’, disse Tebet. ‘‘Cada integrante do conselho deverá agir como juiz observando todas reações dos depoentes.’’
Há dúvidas se depois da votação no Conselho de Ética poderá ser eliminada a etapa de enviar o processo para Mesa Diretora, encaminhando o caso direto à Comissão de Constituição de Justiça (CCJ). Em caso de aprovada a cassação, será a vez de o plenário votar o assunto em sessão secreta, determinada em maioria absoluta. A existência de suspeitas sobre a segurança do painel obrigará o Senado a realizar a votação por meio de bolinhas ou cédulas.
Tebet e Saturnino pretendem agilizar o processo, considerando que o caso Luiz Estevão levou seis meses. A idéia é entregar o relatório até o dia 10.

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