O governador Jaime Lerner (PFL) já sinalizou qual a chapa majoritária de sua preferência para as eleições do ano que vem. Numa entrevista exclusiva concedida a um jornal de Curitiba, na noite da última quarta-feira, Lerner falou sobre política e confidenciou que o mais interessante para a sua reeleição é que Emília Belinati (PTB) concorra novamente ao cargo de vice-governadora e que o chefe da Casa Civil, Rafael Greca (PFL), é ‘‘um nome fortíssimo do grupo para o Senado’’.
A revelação, feita pela primeira vez em público, provoca inquietação no ‘seio’ do grupo político do governador. Os aliados acham cedo para Lerner ficar dando garantias e não querem fechar os nomes ainda. O presidente da Assembléia Legislativa, Aníbal Khury (PFL), não esconde que trabalha, por exemplo, para a indicação do secretário da Agricultura, Hermas Brandão (PTB), para o lugar de Emília. ‘‘Vamos tornar a indicação do Hermas (Brandão) irreversível. Não vetamos a candidatura de Emília ao Senado. Ela é uma boa candidata’’, declara.
Vaga para concorrer ao Senado é o sonho da vice-governadora. A estratégia, no entanto, esbarra nos planos políticos de Rafael Greca e do ministro da Previdência, Reinhold Stephanes (PFL). Ambos cobiçam a indicação, que só deverá ser referendada nas convenções do PTB e PFL em meados do ano que vem. O direito do senador José Eduardo de Andrade Vieira (PTB) de ser o candidato ‘‘nato’’ na disputa de 98 também pode se transformar num fator-surpresa, assim como a lei da desincompatibilização, que obriga Emília deixar o governo já em abril do ano que vem.
Greca diz que foi ‘‘surpreendido’’ pelas declarações de Lerner e aproveitou o ‘bom-humor’ provocado pela notícia para lançar um slogan de campanha : ‘‘Enfim, um senador a favor’’, numa crítica a Roberto Requião (PMDB) e Osmar Dias (PSDB) pelo bloqueio dos empréstimos externos do Paraná. ‘‘O meu nome tem densidade eleitoral’’, avalia o secretário, que não esperava a antecipação. Greca defende mesmo assim a realização de uma pesquisa eleitoral para verificar qual o nome de preferência da população. ‘‘Nenhuma candidatura pode nascer em laboratório’’, afirma.
Para garantir que a indicação não se dilua até as convenções, o chefe da Casa Civil está disposto a tudo. Retornou da audiência com o presidente do Senado Antonio Carlos Magalhães (PFL) e o vice-presidente Marco Maciel (PFL) com o discurso de que a recondução da vice é a melhor saída para Lerner. Mesmo sabendo do lobby de Khury em torno de Brandão, o ex-prefeito de Curitiba tenta se ‘livrar’ da vice. ‘‘Para a verdade, não basta a opinião de um só’’, provoca Greca, na tentativa de minimizar as costuras do presidente da Assembléia.
Parte dos aliados e oposição (leia-se o PMDB) fazem uma ‘leitura’ de que o anúncio de Lerner - ‘lançando’ antecipadamente Emília como vice de novo e Greca como a opção para o Senado - serve apenas como instrumento de pressão do governador sobre o presidente da Telepar, o ex-governador Álvaro Dias (PSDB), para apressar o fechamento de um acordo político entre os tucanos e o PFL, como manda a orientação do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

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