Senado instala CPI das ONGs mas falta relator
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quarta-feira, 03 de outubro de 2007
Gabriela Guerreiro<br>Folhapress 
Brasília - Com quase um ano de atraso, a CPI das ONGs (organizações não-governamentais) foi instalada ontem no Senado. A disputa entre partidos da base aliada, no entanto, adiou para a próxima terça-feira a escolha do relator da comissão. O PMDB havia indicado o senador Valter Pereira (PMDB-MS) para o cargo, mas o PT briga para emplacar o senador Inácio Arruda (PCdoB-CE) como relator.
O senador Raimundo Colombo (DEM-SC) foi eleito presidente da CPI, sem impasses com a base aliada - uma vez que fecharam acordo para que a oposição ficasse com o comando da comissão, enquanto os governistas, com a relatoria.
''Fui buscar um nome sem impasses, que vai conduzir essa comissão com seriedade'', disse o senador Heráclito Fortes (DEM-PI), idealizador da CPI.
O PT trabalha para tirar Pereira da relatoria por temer que o senador adote uma postura de oposição no cargo, uma vez que é um dos líderes dos chamados ''franciscanos do PMDB'' - que na semana passada derrubaram a medida provisória do governo que criava a Secretaria de Planejamento de Longo Prazo, chefiada pelo filósofo Mangabeira Unger. Os petistas também querem evitar pressões do PMDB sobre o Palácio do Planalto, já que os ''franciscanos'' reivindicam uma série de pedidos ao governo. Pereira evitou comentar a disputa pela relatoria, mas não escondeu a insatisfação pelo revés em sua indicação.
Arruda, por sua vez, disse que vai cumprir a determinação da base aliada do governo se o seu nome for escolhido para relatar os trabalhos da comissão. ''A gente assume as responsabilidades. Mas acho que não é possível fazer guerra política. São tantas ONGs no Brasil, não dá para dizer que vamos investigar esta ou aquela.''
O PT acendeu o sinal de alerta depois das denúncias que ligam a líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), a supostas fraudes na Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul (Fedraf-Sul). De acordo com reportagem publicada na ''Veja'', a Fedraf-Sul recebeu R$ 5,2 milhões, entre 2003 e 2007, da União.
O Ministério Público acusa a entidade de desviar dinheiro público que deveria ser usado para formar e qualificar mão-de-obra na área rural. A senadora é apontada, pela reportagem, como ligada aos principais envolvidos nas fraudes.
Ideli negou as acusações, mas confirmou manter ligação com a entidade. Como a CPI das ONGs vai investigar repasses da União às organizações não-governamentais e às Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscips), o PT teme que as investigações comprometam a senadora.
O foco da CPI é investigar os repasses a ONGs ligadas ao governo federal entre 1999 e 2006. O presidente eleito da comissão é adversário político de Ideli no Estado - e apontado pela senadora como um dos responsáveis pela denúncia. Colombo afirmou, no entanto, que não deseja levar para a CPI disputas políticas do Estado.


