Senado inicia CPI pela Infraero
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quinta-feira, 17 de maio de 2007
Christiane Samarco<BR>Agência Estado 
Brasília - Instalada ontem no Senado, a CPI do Apagão Aéreo vai começar, segundo o relator, Demóstenes Torres (DEM-GO), por onde a Câmara não quis: pela investigação da Infraero, empresa estatal de aeroportos. ''Vamos investigar corrupção na Infraero e não deixaremos para o final, não. Vamos investigar tudo ao mesmo tempo'', revelou o relator assim que assumiu o posto.
Não é o que defende o presidente da CPI, senador Tião Viana (AC). O petista concorda que serão três os objetos da CPI dos senadores. Além da Infraero, o inquérito vai tratar das causas do caos aéreo e do acidente da GOL, que matou 154 pessoas em setembro do ano passado. Mas diz que, no que se refere às denúncias de corrupção na empresa, a CPI só cuidará daquelas que tiverem relação com a segurança de vôo.
Demóstenes, adiantou, no entanto, que no caso da Infraero a investigação começará pelas obras do aeroporto de Congonhas, em São Paulo. O Tribunal de Contas da União (TCU) já está investigando este caso e deve votar o relatório final no mês que vêm.
Polêmica à parte, um líder da base aliada que acompanha o assunto garante que não há motivo para nervosismo por parte do Planalto. Ele diz que não acredita que esta CPI crie problemas ou constrangimentos ao governo por duas razões: a investigação pode envolver parlamentares da oposição, o que esfriará os ânimos dos investigadores e, pior, as denúncias de corrupção e superfaturamento em obras nos aeroportos envolvem as cinco maiores empreiteiras do País.
O raciocínio do líder governista, neste caso, baseia-se no puro pragmatismo eleitoral. Ele lembra que as empreiteiras são grandes financiadoras de campanhas políticas e, por isto mesmo, investigá-las e incriminá-las é algo que não interessa nem a aliados nem adversários do governo. Argumenta que, tanto é fato que seu raciocínio faz sentido, que várias foram as propostas de se criar a CPI das empreiteiras ou dos corruptores nas duas últimas décadas, mas que o Congresso jamais ousou abrir este inquérito.
''Acho que foi um equívoco grave abrir espaço à oposição porque o Demóstenes é um ex-promotor muito duro''. Ainda assim, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), defendeu o acerto com o argumento de que o democrata é sério e responsável. ''O que gera mais desgaste não é o produto da CPI, mas o processo. O importante é não ter um maluco na relatoria.''
O cronograma de trabalho da CPI só será discutido na próxima reunião, prevista para terça-feira. Ontem, o presidente e o relator fizeram os primeiros contatos para colher informações junto ao Executivo e à Justiça. A agenda de visitas incluiu a Polícia Federal, o Ministério Público, a Controladoria Geral da União e o presidente da CPI da Câmara, Marcelo Castro (PMDB-PI).


