Brasília - O plenário do Senado rejeitou nessa quarta-feira (30) um requerimento de urgência para votar ainda ontem à noite o pacote de medidas anticorrupção aprovado pela Câmara na madrugada.
Foram 44 votos contrários e 14 a favor da urgência. A proposta de acelerar a votação foi feita pelo presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), em articulação com líderes de outros partidos.
A reação de Renan se deu após as manifestações dos procuradores, que criticaram a votação da Câmara e chegaram a afirmar que deixariam a Lava Jato caso as medidas fossem sancionadas. Logo em seguida, Renan deu nova declaração, visivelmente irritado. Disse que a votação do pacote "é uma decisão sobre a qual não pode haver pressão externa" e que "não se pode fazer cadeia nacional para pressionar por nada que absolutamente conteste, esvazie o estado democrático de direito. Com a derrota, Renan terá de enviar a proposta a uma comissão do Senado.

ABUSO DE AUTORIDADE
Uma das propostas mais polêmicas incluída no pacote anticorrupção, a que cria a possibilidade de punir juízes e integrantes do Ministério Público Federal por abuso de autoridade, foi aprovada por 313 votos a 132. Apesar de deputados de praticamente todos os partidos da Câmara terem apoiado a medida, PT, PMDB e PP foram as bancadas que mais deram votos para a proposta. No PT, apenas um dos 55 deputados votou contra a medida - o ex-presidente do Corinthians Andres Sanchez (SP), investigado na Lava Jato. No PMDB, 46 dos 56 deputados votaram a favor da medida e no PP, o placar foi de 34 dos 42. Os três partidos têm diversos integrantes investigados pela Lava Jato. (Isadora Peron/Agência Estado)

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