Curitiba - O empréstimo de 350 milhões de dólares que o governo do Paraná tomaria do Banco Mundial (Bird) ficou para o ano que vem. Depois que comentário do senador Roberto Requião (PMDB) provocou a retirada do tema da pauta de votações do Senado, na terça-feira, ''não houve mais clima'' para a retomada do assunto em Brasília. O debate sobre a votação pelo Congresso de 3.000 vetos presidenciais engavetados e a cerimônia de homenagem aos parlamentares cassados pela ditadura, realizada ontem, impediram a retomada da discussão.
''Faltou uma oportunidade'', resumiu Amauri Escudero, representante do governo Beto Richa (PSDB) na capital federal. Ele conta que até um requerimento pedindo urgência para a liberação do empréstimo, assinado por 26 senadores, chegou a ser preparado, ''mas o presidente Sarney optou por deixar para depois''. Em recesso parlamentar a partir de hoje, o Senado só retomará as votações no dia 4 de fevereiro. ''Já avisei o governador e o secretário da Fazenda, Luiz Carlos Hauly, da situação. Ficamos com crédito político, mas vai atrasar'', disse Escudero. Beto acusou Requião de ''trair o Paraná'', conforme FOLHA noticiou ontem, por ter provocado esse atraso de dois meses na liberação dos recursos.
Procurado pela reportagem, Hauly disse que a demora não impede que reformas nas escolas ou a rede de atenção neonatal, previstas no acordo com o Bird, saiam do papel. ''Tudo já está acontecendo, até por que os recursos do Banco Mundial são apenas uma parte do orçamento. Para cada R$ 100 colocados pelo governo do Paraná, o Bird aporta mais R$ 33. O fato é lamentável, sim, já que nos preparamos por dois anos para receber esses recursos, mas as ações estão em curso'', avaliou o secretário da Fazenda. ''A votação no Senado devia ser só uma formalidade, já que a parte mais difícil, que é o contrato com o Banco Mundial e a aprovação da Secretaria do Tesouro Nacional nós conseguimos'', lamentou Hauly.
Requião alegou que faltavam informações sobre a destinação dos recursos no projeto em votação pelo Senado, insinuando que a despesa poderia impactar pesadamente o endividamento do Estado. Só que nota técnica da Casa, assinada pelo consultor legislativo José Luiz Lobo Paiva, diz que essa não é a hora de avaliar o mérito do contrato. ''Não se justifica a suspensão da análise'', afirma Paiva, ao longo de sete páginas. Ao saber desse parecer, Beto Richa voltou a criticar o seu predecessor no governo do Paraná. ''O presente de Natal dele (Requião) para os paranaenses é nos tirar R$ 730 milhões que seriam investidos em saúde e educação. Uma traição ao Paraná. Uma atitude nefasta de uma pessoa atormentada'', atacou o tucano. ''Como na época Lerner, tento evitar que quebrem o Paraná, sem apoio na imprensa e com deputados domesticados. É duro, mas cumpro o meu dever'', rebateu Requião.

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