Um pedido de vistas coletivo atrasou por mais dois dias a votação do socorro financeiro de R$ 3,85 bilhões para o saneamento do Banestado e sua posterior entrega para a iniciativa privada. A mensagem presidencial que libera o empréstimo será votada pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado nesta quinta-feira pela manhã. Os senadores têm até o dia 15 de dezembro para liquidarem a matéria em plenário.
Um impasse entre o governo e os senadores Roberto Requião (PMDB) e Osmar Dias (PSDB) promete esquentar as discussões. Requião defendeu ontem que o Banco Central designe uma junta especial para comandar o saneamento. Osmar acha que a exclusão do governo, do processo, deve ser parcial. O tucano sugere a formação de uma comissão mista e a nomeação de um diretor do BC para ser o diretor de privatização.
A reação do secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, foi imediata. O secretário disse que o governo não aceita em hipótese alguma a ingerência dos senadores. Gionédis poupou Osmar Dias, que é visto pelo governo como um aliado em potencial, e centralizou sua artilharia contra Requião. ‘‘O senador Requião perdeu a eleição para o governo e acha que pode interferir na autonomia estadual’’, declarou.
O secretário afirmou que o governador Jaime Lerner (PFL) pode até convidar algum técnico do BC para acompanhar o processo, mas que o governo não abre mãos de suas prerrogativas. Gionédis retorna hoje à noite para Brasília. Ele é obrigado, pela medida provisória do governo federal, a acompanhar todo o processo de votação, da CAE ao plenário. Para ele, o empréstimo estará autorizado em uma semana.
Uma cláusula do acordo assinado entre o governo do Paraná e o Banco Central, em junho desse ano, também foi questionada por Requião, minutos antes de requerer seu pedido de vistas. Requião criticou o item que impede o governo estadual de incluir saneamento o passivo de R$ 52 milhões gerado com a aquisição títulos podres dos governos de Alagoas e Santa Catarina, efetuada pela Banestado Corretora.
Gionédis rebateu o senador Roberto Requião e disse que os títulos representam um ‘‘pré-passivo’’, podendo ainda ser resgatados pelo governo do Estado. Segundo o secretário, o dispositivo é uma imposição do Banco Central e a exigência era de conhecimento público. ‘‘Alguém tinha que arcar com esse pré-passivo, senão o acordo não seria viabilizado. Temos um ano para resgatar esses papéis’’, assinalou o secretário.
Além de garantir a matéria na pauta da CAE, a direção do Banestado conseguiu ontem nova prorrogação para o encaminhamento das prestações de contas do Banco para a Assembléia Legislativa, e referentes ao exercício financeiro de 1997. Os deputados governistas aprovaram um requerimento enviado pelo presidente do Banestado, Manoel Garcia Cid, fixando em 31 de dezembro a data-limite para a entrega dos balanços.
A oposição desconfia que a relutância do governo em divulgar os balanços faz parte de uma estratégia para não gerar pânico entre os correntistas. ‘‘Estão maquiando um déficit astronômico’’, sugeriu Florisvaldo Rosinha Fier, do PT. Gionédis distribuiu nota ontem garantindo que se o saneamento for aprovado, clientes e investidores ‘‘estarão totalmente seguros’’. E que ‘‘não haverá qualquer risco de intervenção’’ do BC.

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