Brasília - O presidente interino do Senado, Tião Viana (PT-AC), tentou ontem espantar a crise entre oposição e governo ao anunciar novo calendário para a votação da prorrogação da CPMF e da sessão de julgamento do mandato do presidente licenciado da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL).
Preocupado com a volta no enfrentamento, no plenário, entre governistas e oposicionistas - fruto das manobras da oposição em obstruir as sessões e atrapalhar a tramitação da CPMF e da decisão do líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), em retardar apresentação de parecer sobre o pedido de cassação de Renan na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) -, Tião se apressou em dar declarações para baixar a temperatura ambiente.
''Há prazo regimental a ser cumprido. Tanto a CPMF quanto a votação de Renan vão ocorrer neste ano legislativo'', afirmou. O petista anunciou que espera que Virgílio apresente seu parecer sobre a constitucionalidade do pedido de cassação de Renan na próxima quarta-feira, dia 28. ''No dia 4 ou 5 de dezembro será feita a sessão de julgamento do caso Renan no plenário'', avisou. Em relação à votação da prorrogação da CPMF, Tião disse que o governo trabalha para que a matéria seja votada, em primeiro turno, no dia 14 de dezembro. A partir daí, contando o prazo de cinco sessões, o segundo turno seria votado no dia 21 de dezembro, último dia de trabalho legislativo. ''Dá tempo sim. Façam as contas'', respondeu.
O anúncio das novas datas foi feito por Tião no final da manhã, depois de o petista ter de cancelar uma reunião de líderes convocada por ele na véspera. O objetivo do encontro era ''forçar'' um acordo entre os líderes para que o pedido de cassação de Renan saísse da CCJ e fosse direto para plenário. A intenção inicial do governo e, principalmente, de Renan era que seu pedido de cassação fosse votado na quinta-feira. Governo e peemedebistas haviam sacramentado, nos bastidores, acordo para que Renan fosse absolvido em troca de apoio para a aprovação da prorrogação da CPMF.
A manobra oposicionista, no entanto, que visava principalmente atingir o governo, atrapalhou mais a vida de Renan do que do Planalto. O líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), tentou passar o dia de hoje demonstrando tranquilidade e, como um mantra, repetiu que a ordem era ''tramitar, convencer e votar''. ''A base não tem que ter angústia ou agonia para votar isso (prorrogação da CPMF). Não faremos nenhuma manobra radical ou heterodoxa'', prometeu.

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