Senado deve arquivar pedido de impeachment
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Gabriela Guerreiro<BR>Folhapress 
Brasília - O Senado vai rejeitar o pedido de impeachment do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido), protocolado ontem pelo servidor público federal Altivo Fausto Martins. Como o servidor baseou o pedido em lei de 1986, anterior à Constituição de 1988 que instituiu a autonomia do Distrito Federal, a Casa deve arquivar a proposta sem dar prosseguimento à sua tramitação.
Martins argumenta, no pedido, que o servidor público pode solicitar o afastamento do governador com base na lei 7.106 de 1986 - que fala que o Senado pode investigar crimes de responsabilidade cometidos pelo governador do Distrito Federal. Consultores legislativos do Senado, porém, afirmam que a lei não serve como base, uma vez que a Constituição de 1988 concedeu autonomia ao DF, sem que a localidade fosse diretamente subordinada ao Senado.
Em 2001, o Senado arquivou pedido de impeachment contra o então governador do DF Joaquim Roriz (PSC), que teve o mesmo fundamento legal na sua sustentação. O servidor que apresentou o pedido chegou a recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que a proposta vigorasse, mas o tribunal não acatou o pedido - o que abriu jurisprudência para que outros pedidos similares sejam arquivados.
Na prática, o pedido de impeachment deve ser sumariamente arquivado, sem que chegue a tramitar pelas comissões permanentes da Casa. Foi o primeiro pedido de impeachment contra Arruda encaminhado ao Congresso Nacional desde que episódio do mensalão do DEM no Distrito Federal veio à tona.
O governador é acusado de receber recursos do suposto esquema de pagamento de propina a aliados na Câmara Legislativa, levantados junto a empresas que prestam serviços ao governo do DF.
Martins disse que apresentou o pedido de impeachment ao Senado porque considera que a Câmara Legislativa não tem isenção para analisar a permanência do governador. ''Na Câmara Legislativa, há muitos envolvidos nesse episódio. No Senado, pode ter prosseguimento, mas os parlamentares vão analisar a lei'', afirmou.
O servidor negou ter qualquer vínculo partidário e disse que decidiu propor o impeachment para ''cumprir o dever'' de cidadão. ''Não tenho nenhuma vinculação partidária, nem aspiração a candidatura de nada. Quero trabalhar como cidadão comum, para ver se o país perde a fama de imoralidade internacionalmente conhecida, com gente guardando dinheiro público em roupa íntima e outras coisas.''


