Senado deve afastar hoje Dilma Rousseff do cargo
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terça-feira, 10 de maio de 2016
Folhapress 
Brasília - O Senado Federal deverá abrir o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, afastando-a do cargo, em sessão prevista para começar hoje
às 9 horas. A decisão precisa do voto da maioria simples dos presentes, e tanto o placar da "Folha de S.Paulo" quanto as contas de governo e oposição apontam para o resultado. O afastamento tem prazo máximo de 180 dias, mas a previsão é que o Senado julgue-a pelas pedaladas fiscais e créditos orçamentários sem autorização antes disso.
O vice Michel Temer (PMDB) assume assim que for notificado da decisão. Seus aliados pressionam pela saída do presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA), visto como não confiável para o encaminhamento de sua agenda congressual e que tentou sem sucesso anular a votação do impeachment pela Câmara, em uma canetada apoiada pelo Planalto.
O governo tentava até a noite dessa terça impedir a sessão, com a apresentação de um recurso ao Supremo. Dilma deve ser a segunda presidente afastada para ser julgada politicamente pela acusação de crime de responsabilidade desde a redemocratização, repetindo Fernando Collor em 1992 - o hoje senador pelo PTC-AL, até aqui seu aliado, vota nesta quarta.
Apoiadores do governo fizeram atos em algumas capitais e prometem mais protestos nesta quarta.
Diante de um cenário previsível de derrota, a base do governo trabalha, numa conta otimista, para tentar chegar a 30 votos dos 81 senadores contra o processo de impeachment de Dilma, enquanto a oposição trabalha com até 57 por sua abertura.
Basta maioria simples dos presentes para que Dilma seja afastada por até 180 dias e julgada por crime de responsabilidade. Nas últimas 24 horas, senadores próximos ao Planalto não acreditavam em surpresa, ao contrário da votação na Câmara, em que havia na véspera esperança em salvar Dilma.
Levantamento feito pela Folha de S.Paulo aponta que pelo menos 50 pretendem se manifestar pela admissibilidade.
Além de afastar a presidente, o placar desta quarta vai indicar a tendência para a fase final do processo, que exige 54 votos para que ela seja condenada e deixe o cargo definitivamente.
A própria presidente já declarou que são remotas as chances de retornar ao posto. "Se eu perder, estou fora do baralho", disse, em recente entrevista no Planalto.
Aliados da petista no Senado consideram que só uma catástrofe política e econômica de um governo de Michel Temer seria capaz de mudar o quadro no Senado e abrir espaço para uma volta dela.
A sessão deve começar às 9h. Cerca de 65 senadores devem discursar, além do relator do processo, Antonio Anastasia (PSDB-MG), e do advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo.
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), quer realizar a votação por painel eletrônico às 19h, mas se espera atraso por causa de discursos e questionamentos.
Se a votação for concluída na noite de hoje, Dilma deve ser notificada na manhã desta quinta, quando então automaticamente se afasta. "Não quero colaborar com antecipação de etapa nenhuma", disse Renan, ao ser questionado sobre o futuro da presidente. O Senado decidirá a estrutura presidencial que ela poderá usar durante o período do processo.
A petista é acusada de editar decretos de créditos suplementares sem aval do Congresso e de usar verba de bancos federais em programas do Tesouro, as chamadas "pedaladas fiscais". Sua defesa entende que não há elementos para o afastamento.



