Senado arquiva representação contra Gim Argello
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terça-feira, 21 de agosto de 2007
Ana Paula Scinocca e Rosa Costa<br>Agência Estado 
Brasília Com o voto de desempate do presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), a Mesa Diretora do Senado decidiu ontem pelo arquivamento da representação do PSOL contra o senador Gim Argello (PTB-DF), acusado de participação em esquemas de desvios de dinheiro público e de grilagem de terras no Distrito Federal.
Por 3 votos a 2 e 2 abstenções, os integrantes da Mesa Diretora da Casa entenderam que o arquivamento se justificava por ser Argello suspeito de incorrer em delitos antes de ter assumido o mandato de senador. Com o voto favorável a ele, Renan assegura também um ponto a favor no momento em que for julgado no processo por quebra de decoro.
Argello assumiu há pouco mais de um mês no Senado a vaga do ex-senador Joaquim Roriz (PMDB-DF), também acusado de subtração de recursos públicos ocorrida no período em que exercia o mandato parlamentar. Roriz renunciou ao cargo para escapar de uma possível cassação por quebra de decoro parlamentar. Tanto ele quanto o senador do PTB do Distrito Federal tiveram os nomes apontados pela Polícia Civil como envolvidos no esquema de desvio de verbas do Banco de Brasília (BRB), apurado pela Operação Aquarela.
Além de Renan, votaram pelo arquivamento da representação os senadores Papaléo Paes (PSDB-AP) e Efraim Moraes (DEM-PB). Os senadores Tião Viana (PT-AC) e Álvaro Dias (PSDB-PR) defenderam o encaminhamento da representação para o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, onde, atualmente, há três processos abertos, todos contra o presidente do Congresso.
Renan é suspeito de quebra de decoro por ter, supostamente, as despesas pessoais pagas por Cláudio Gontijo, acusado de ser lobista da empreiteira Mendes Júnior. O presidente do Senado também é suspeito de ter atuado em favor da Cervejaria Schincariol junto à Receita Federal e, por fim, de sociedade oculta na compra de duas rádios e um jornal. As empresas estariam em nome de laranjas.
Os senadores Magno Malta (PR-ES) e César Borges (DEM-BA), que também integram a Mesa Diretora, abstiveram-se na decisão sobre a ação do PSOL contra Argello.
Ao ser informado da decisão da Mesa de arquivar a ação, Argello disse, por meio da assessoria, estar agradecido. Sempre tive certo da minha inocência e sempre confiei no bom senso e justiça do Senado Federal. Agora, vamos trabalhar pelo Brasil e pelo Distrito Federal, afirmou.
O PSOL vai recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para reverter a decisão da Mesa Diretora. A gente vai reagir não só no âmbito do Senado, como vamos ingressar com mandado de segurança no Supremo. A Mesa se arvorou da nossa representação e tomou o lugar do Conselho de Ética, o que é inaceitável, afirmou o líder do PSOL na Câmara, Chico Alencar (RJ). O partido também vai analisar um possível recurso ao plenário do Senado contra a decisão da Mesa.


