Senado aprova texto-base da reforma eleitoral
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quarta-feira, 09 de setembro de 2009
Gabriela Guerreiro<br>Folhapress 
Brasília - O Senado aprovou ontem o texto-base da reforma eleitoral com regras que mudam a atuação dos candidatos que disputam cargos eletivos. O ponto mais polêmico do texto - que trata das restrições impostas à internet no período eleitoral- será analisado em separado.
Como o texto sofreu mudanças durante tramitação na Casa, segue para uma nova votação na Câmara - onde tem que ser aprovado até o dia 30 de setembro para entrar em vigor nas eleições de 2010.
Os senadores vão votar, em separado, as emendas ao projeto - entre elas a que restringe a atuação de sites jornalísticos na internet durante o período eleitoral. A emenda proíbe sites e portais de jornalismo de fazer propaganda eleitoral de candidato, partido político ou coligação.
Pela emenda, de autoria dos relatores Eduardo Azeredo (PSDB-MG) e Marco Maciel (DEM-PE), fica vedado aos sites dar tratamento privilegiado a candidato, partido ou coligação, sem motivo jornalístico que justifique.
A emenda proíbe ainda que sites divulguem pesquisas eleitorais com manipulação de dados, ainda que sob a forma de entrevista jornalística.
A emenda não explica, porém, como será realizada a propaganda eleitoral ou tratamento privilegiado na internet. Também não diz o que seria motivo jornalístico justificável para privilegiar numa reportagem ou entrevista um determinado candidato. Isso poderá dar margem a que a Justiça Eleitoral restrinja a cobertura jornalística na rede. O texto concede ampla liberdade aos blogs e sites de relacionamento, como o twitter, para a livre expressão durante as campanhas.
Os relatores da reforma eleitoral apresentaram a emenda depois da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovar o texto, na semana passada, com restrições ainda maiores à atuação da internet nas campanhas eleitorais. Pelo modelo aprovado pela Câmara, que foi referendado pela CCJ, os sites jornalísticos estariam sujeitos às mesmas regras previstas pela legislação às emissoras de rádio e televisão brasileiras.
Sem as mudanças, os sites jornalísticos estariam proibidos de emitir opiniões a respeito dos candidatos e teriam que dedicar o mesmo espaço em sua programação para todos os candidatos que estão na disputa. Pela lei eleitoral em vigor, somente a mídia impressa (jornais e revistas) pode publicar anúncios pagos pelos candidatos, mas à internet será aplicada a mesma regra se o parecer for mantido como está.
O projeto aprovado pelo Senado permite que candidatos à presidência da República façam propaganda eleitoral na internet, com limitações impostas pela proposta. Segundo o texto, os candidatos à Presidência poderão pagar por anúncios de sua candidatura nos sites, desde que tenham o tamanho máximo de um oitavo da página -e de um quarto nos anúncios em jornais ou revistas.
Apesar de liberar a propaganda para os presidenciáveis, como já ocorre nos jornais e revistas, o texto limita os poderes da internet nas eleições.
Segundo o texto, os candidatos só podem anunciar em sites de divulgação de notícias, informações ao público em geral ou de busca.


