O Senado aprovou ontem à tarde um empréstimo estimado em R$ 4,4 bilhões do governo federal para o Paraná. O dinheiro será repassado em forma de títulos públicos e deverá ser devolvido em 30 anos, com juros de 6% ao ano. Do total, R$ 4,3 bilhões serão injetados no Banestado, que até meados do ano que vem deve ser entregue à iniciativa privada. Os outros R$ 100 milhões vão para a Agência de Desenvolvimento, que cuida do fomento no Estado.
Os senadores aprovaram por maioria absoluta o socorro financeiro para o Estado. A votação acirrou-se, no entanto, na hora de apreciar uma emenda apresentada pelo senador Roberto Requião (PMDB), que foi contra a privatização do Banco. Por um voto de vantagem (20 a 19, com uma abstenção), os senadores derrubaram a proposta de federalização, que tiraria o Banestado do controle estadual repassando-o já para as mãos do governo federal.
Arquivo FolhaAtirandoRequião: ‘‘Os senadores votaram sabendo de toda a patifaria’’O senador Osmar Dias (PSDB) avalizou a emenda de Requião. ‘‘Apesar das críticas que recebi injustamente, mantive-me coerente’’, declarou o tucano. Osmar não gostou das declarações dadas por Requião acusando-o de aliar-se ao governador Jaime Lerner (PFL), durante o processo de discussão da matéria. A votação dos senadores ontem ratificou a decisão já tomada pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), na semana passada.
O empréstimo inicial foi fixado em R$ 3,85 bilhões. O reajuste da taxa selic (indicador econômico fixado pelo Banco Central para corrigir distorções) elevou em cerca de R$ 550 milhões o socorro financeiro do governo federal ao Banestado. Em vez de R$ 3,75 bilhões, como previa a proposta original, a União compromete-se a liberar algo em torno de R$ 4,3 bilhões em valores de hoje. O governo recebeu a decisão do Senado com entusiasmo.
O secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, informou que o diretor financeiro do Banestado, Alaor Pereira, está em Brasília negociando com o Banco Central um cronograma para o repasse da primeira parcela. ‘‘Precisamos agilizar isso, para começar a liberação do massari (dinheiro)’’, disse. Ele explicou que o próximo passo agora é aumentar o capital do Banco, tirando-o do redesconto (socorro financeiro requerido à Caixa Econômica Federal).
‘‘Tem meses em que o redesconto chegou a R$ 700 milhões’’, informou Gionédis. Segundo ele, os títulos do governo federal vão dar fôlego em caixa. ‘‘Quando se aporta capital, não se precisa mais buscar dinheiro fora, a juros altos’’, considerou. O socorro autorizado ontem pelo Senado não cobre o ‘mico’ de R$ 350 milhões, gerado com a aquisição de títulos podres (de difícil resgate) de Pernambuco, Santa Catarina, Osasco e Alagoas.
Derrotado em plenário, o senador Requião criticou a política adotada pelo governo do Paraná no Banestado. Ele citou a compra de títulos podres pela Banestado Corretora e enumerou outras irregularidades que estão sendo investigadas pelo Ministério Público Federal. ‘‘Os senadores votaram sabendo de toda a patifaria’’, declarou. Requião lamentou a abstenção de Pedro Simon (PMDB-RS) na votação da emenda da federalização.Arquivo FolhaNa defensivaDias: ‘‘Apesar das críticas que recebi, mantive-me coerente’’Leandro Donatti

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