Brasília - O Senado aprovou ontem a indicação do ex-presidente Itamar Franco para ser embaixador do Brasil na Itália com uma das votações mais apertadas da história da Casa em votações similares: 29 votos a favor, 25 contra e 2 abstenções. Segundo o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE), o único resultado pior do que o de Itamar, nos últimos anos, foi obtido pelo ex-ministro da Cultura e ex-governador José Aparecido de Oliveira, quando indicado para chefiar a embaixada em Portugal. Indicado por Itamar, Aparecido foi aprovado com apenas um voto de diferença.
A votação de indicação de embaixador é secreta. O quórum exigido para aprovação é maioria dos presentes, com a presença de no mínimo de 41 senadores em plenário. Para Suplicy, Itamar tem todas as qualificações para ser embaixador na Itália, como ex-presidente da República, ex-governador, ex-embaixador em Portugal e ex-representante do Brasil na Organização dos Estados Americanos (OEA). Os votos contrários, segundo ele, refletem uma ''oposição política'' a ele.
Quando nomeado embaixador em Portugal, Itamar teve uma votação bem mais folgada: 54 aprovaram sua indicações, 4 foram contra e 3 se abstiveram. Na história do Senado, há o registro de apenas um caso de rejeição de indicação para embaixador: foi no caso da mensagem do ex-presidente Jânio Quadros indicando o nome de José Ermírio de Moraes para a Alemanha, em 1961. Posteriormente, Moraes acabou sendo eleito senador.
Desde a indicação de Itamar por Lula, a única oposição feita claramente no Senado partiu do senador Jorge Bornhausen (PFL-SC), presidente do seu partido. Ele justificou a oposição pelo fato de Itamar não ter cumprido a Lei de Responsabilidade Fiscal quando governador de Minas Gerais.

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