Senado adia discussão de empréstimos
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 21 de novembro de 1997
Leandro Donatti Curitiba 
Arquivo FolhaAcordoO secretário do Planejamento do Paraná, Miguel Salomão, um dos negociadores do Estado na questão dos empréstimos A novela envolvendo a liberação dos US$ 490 milhões em empréstimos externos para o Paraná, pelo Senado, não terminou ontem. A CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) só vai apreciar os três pedidos de autorização feito pelos governo do Estado na próxima quinta-feira. Com medo de uma reação contrária do Senado, o governo do Estado mudou de estratégia para tentar, até lá, garantir a maioria de votos dos 27 integrantes da comissão.
O líder do PFL no Senado, Hugo Napoleão, ficou com a incumbência de conseguir a adesão da maior parte dos senadores. Já existe um comprometimento dos oito senadores do partido na comissão. Napoleão se reuniu ontem à tarde com os secretários da Fazenda, Giovani Gionédis, e do Planejamento, Miguel Salomão, para fechar uma posição.
O governo do Paraná preferia levar a discussão para o plenário do Senado na próxima quarta-feira. A intenção era diluir as críticas e quebrar o cerco montado pelos senadores Roberto Requião (PMDB) e Osmar Dias (PSDB) dentro da CAE. Os senadores do PFL entenderam, no entanto, que o mais diplomático seria respeitar o regimento interno do Senado e manter as discussões na comissão econômica. Razão pela qual, retiraram na última hora os pedidos incluídos na pauta.
Os oito deputados federais do PFL e dois do PPB do Paraná - Fernando Carli e João Iensen - foram surpreendidos com a decisão. Eles davam como certa a discussão pela CAE ontem. Para cobrar posição do Palácio do Planalto no episódio, os deputados chegaram a condicionar sua participação na votação da reforma administrativa à retomada das discussões dos empréstimos. Vamos trabalhar para convencer os senadores das razões do Paraná. A CAE está contaminada pelo ódio dos senadores contrários ao desenvolvimento, provocou Paulo Cordeiro.
Requião e Osmar protestaram ontem contra o lobby coordenado pelo governador Jaime Lerner (PFL) na quarta-feira. Osmar, que é membro titular da CAE, disse que aceitar as exigências do governo do Paraná e levar os empréstimos para o plenário seria o mesmo que a desmoralização do Senado Federal. A idéia de tirar as discussões da CAE fere o Regimento Interno, resoluções internas e a Constituição Federal, justificou o senador que já aceitou um convite dos pefelistas para expor os seus motivos contrários ao desbloqueio.
O senador avisou que vai cobrar o cumprimento do decreto de Fernando Henrique Cardoso que proíbe a União de dar garantias a empréstimos externos até dezembro de 98. Não acredito que os senadores vão deixar de interpretar corretamente uma orientação do governo federal frente ao pacote econômico baixado, apostou Osmar. A assessoria do senador Requião vem distribuindo há três dias cópias do decreto de FHC.
Já o secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, avaliou como positiva a reunião com os senadores ontem. Respondemos a todas as indagações sem problema nenhum, garantiu. O secretário confia na liberação imediata do dinheiro e disse que o governo só vai pedir prorrogação de prazos ao BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) em caso de extrema necessidade. O prazo para se fechar o empréstimo do Paraná 12 Meses com o organismo norte-americano expira no próximo dia 30. Nos demais, referentes ao Paranasan e ao programa de expansão do ensino médio, o governo ainda dispõe de tempo.


