Curitiba - Argentina aumenta tarifa para importação de produtos brasileiros. Governo brasileiro protesta. Governo brasileiro subsidia produção agrícola. Argentina protesta. As disputas econômicas e as discussões entre os presidentes dos países que integram o Mercosul têm dado a tônica da relação entre os países que integram o bloco, criado em 1991 com o objetivo de fortalecer a interação entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
Para tentar mudar essa realidade, o governo do Estado e a Comissão Parlamentar Conjunta do Mercosul instalada no Congresso iniciaram ontem em Curitiba o seminário Aspectos Políticos e Institucionais do Processo de Integração do Mercosul. Segundo o presidente da Comissão Parlamentar, o deputado federal Dr. Rosinha (PT-PR), o objetivo é fortalecer a participação dos deputados estaduais de todos os Estados e do Poder Legislativo de uma maneira geral na construção das políticas do Mercosul.
''Muitos parlamentares brasileiros ainda não estão preparados para pensar em uma política externa voltada para a formação de um bloco de países. Isso é até natural, porque esse é um fenômeno novo. Até 50 anos atrás, os países ainda lutavam entre si por fronteiras. Mudar o pensamento dos legisladores para deixar as fronteiras em segundo plano é algo difícil'', pondera Dr. Rosinha.
Conscientizar os políticos de outros Estados a aumentar a discussão sobre o Mercosul também é uma necessidade, na visão do deputado federal. ''É uma bobagem pensar que o Mercosul só interessa aos Estados que fazem fronteira com os demais países do bloco. Segundo um levantamento feito pela comissão do Mercosul no Congresso, o único Estado brasileiro que não tem negócios com outros países do Mercosul é Rondônia. Ou seja, todos têm interesse'', argumentou Dr. Rosinha.
O governador Roberto Requião, que participou da abertura do seminário, defendeu uma maior interação cultural, tecnológica e política entre os países. ''Atualmente, o Mercosul se resume a uma ponte aérea entre Buenos Aires e São Paulo, beneficiando apenas as grandes empresas do Brasil e da Argentina. É hora de quebrar esse modelo, que utiliza o Mercosul para favorecer grandes interesses econômicos, e começar a pensar como um bloco, para competir com os
demais blocos de países formados pelo mundo'', defendeu Requião.

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