Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reúne ministros e líderes aliados para comemorar seus 18 meses na Presidência da República em uma semana em que terá de correr contra o tempo para aprovar projetos de sua agenda econômica travada no Congresso. Até quinta-feira, os parlamentares entrarão em recesso e o governo sabe que depois dessa data, os trabalhos no Legislativo só voltarão a um ritmo normal após as eleições municipais de outubro.
Para tentar avançar as votações, a estratégia do governo prevê uma série de reuniões, hoje e amanhã, do ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo, com os seus aliados.
Hoje, o ministro do Planejamento, Guido Mantega, deverá se encontrar com o relator da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), e com líderes governistas para tentar aparar as arestas no parecer do senador. O governo está preocupado com a possibilidade de o texto elaborado por Garibaldi aumentar as despesas da União em 2005 em R$ 9,7 bilhões com a vinculação do aumento do salário mínimo ao aumento do Produto Interno Bruto (PIB), além da inflação, e a proibição de o governo bloquear repasses para os investimentos classificados como prioritários na LDO. A votação da LDO na Comissão Mista de Orçamento está prevista para quarta-feira e no dia seguinte no plenário do Congresso.
Além da LDO, o governo negocia a aprovação de sua agenda econômica. Considerado essencial para atrair investimentos, principalmente em infra-estrutura, o projeto que institui as parcerias público-privadas (PPPs) ainda espera votação na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, para depois ser votado pelo plenário da Casa. Mesmo que consiga superar as dificuldades e aprovar o projeto no Senado, a proposta deverá voltar à Câmara porque os senadores vão modificar o texto já aprovado pelos deputados.
O mesmo futuro terá o projeto da nova Lei de Falências, que deverá ter sua votação concluída pelo Senado nesta semana, mas terá de ser votado novamente pela Câmara porque foi alterado pelos senadores. No Senado o governo ainda espera pela votação da lei de Biossegurança.
Apesar de ter uma base mais sólida na Câmara, o governo também enfrenta resistências para limpar sua pauta de prioridades. Antes de votar seus projetos, o governo terá de mobilizar sua base para votar seis medidas provisórias que estão trancando a pauta de votações. A primeira delas é a MP que reduz alíquotas do PIS/Pasep e da Cofins incidentes na importação e comercialização de fertilizantes e defensivos agropecuários.
O Palácio do Planalto queria ver aprovados ainda neste semestre o projeto que trata das agências reguladoras, da inovação tecnológica, o que estabelece novas normas para as incorporações imobiliárias e a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (Abit).

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