Nervosismo à parte, os articuladores políticos do Planalto, no Executivo e no Congresso, avaliam que o Brasil está ingressando em uma semana politicamente fraca, por conta do feriado de terça-feira, pelo menos até quinta-feira, quando a Comissão de Ética do Senado vai juntar em acareação ACM, Arruda e Regina Borges. Esses articuladores recomendam que o governo aproveite para se organizar, até porque a oposição também vai tentar ganhar terreno junto à opinião pública.
Tanto que, na sexta-feira, o líder do PT na Câmara, Walter Pinheiro (BA), adiou a entrega da lista de assinaturas dos deputados a favor da CPI, em uma tentativa de aproveitar o feriado de 1º de maio para mobilizar a rua e evitar que os parlamentares retirem apoio.
Não será tarefa fácil arrumar o governo esta semana. Embora o ministro Aloysio Nunes antecipe que o governo fará ‘‘uma luta política’’ contra a CPI, não há sequer unidade na equipe quanto à melhor estratégia para entrar nesta briga. Enquanto alguns líderes e auxiliares próximos do presidente aconselham que ele recorra logo à Justiça para arguir a inconstitucionalidade de um pedido tão amplo de investigação, e apressar o fim desta ameaça para evitar desgaste político, outros defendem que ele atue no Congresso, e não queime etapas. Neste caso, a idéia seria atuar junto às Comissões de Constituição e Justiça da Câmara e Senado, para que os próprios políticos aprovassem o arquivamento do pedido de CPI, por inconstitucionalidade.
Como a situação é grave, o próprio Planalto já trabalha o cenário de CPI. ‘‘Se tudo der errado, o governo tem faixa própria para seguir administrando o País, com atos que independem de leis’’, raciocina o ministro Aloysio, ao admitir a paralisação do Congresso em função do inquérito. O presidente da Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG), é outro que diz que o ideal é que não haja CPI, mas faz questão de declarar que não é um cético.
‘‘Se a comissão for instalada, o mundo não acabou e vamos continuar trabalhando’’, sentencia Aécio. Mesmo depois de o governo não ter conseguido reunir 257 dos 513 votos da Câmara para aprovar um projeto de previdência complementar semana passada, ele garante que o fato relevante foi a presença de 440 deputados em plenário, votando. (A.E.)

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