Semana é decisiva para prefeito de SP
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domingo, 16 de maio de 1999
Agência Estado 
Arquivo FolhaEm campanhaPitta iniciou na semana passada um trabalho para recompor sua base parlamentar e tentar evitar o início do processo de investigação que poderia culminar em seu impeachmentO prefeito de São Paulo, Celso Pitta (sem partido), inicia a semana decisiva para o seu futuro político e administrativo com a Câmara Municipal ainda indefinida em relação ao início do processo de impeachment, que pode ser colocado em votação a qualquer momento.
Desde a semana retrasada, um grupo político ainda não totalmente identificado aproveitou o desespero de vereadores governistas provocado pelo avanço das investigações da máfia dos fiscais e a falta de apoio por parte do governo municipal para impor uma derrota ao Executivo na Comissão Especial do Impeachment.
O presidente da Câmara, Armando Mellão (sem partido), disse que poderia colocar o parecer em votação hoje ou na quarta-feira. A Agência Estado apurou que isso deve ocorrer na quinta-feira.
Se o grupo momentaneamente aliado à oposição tentar acelerar a votação, a tendência será iniciar o processo de afastamento. Mas se ocorrer o contrário, a expectativa será que as acusações sejam rejeitadas em plenário.
O sistema na Câmara é presidencialista, mas a maioria em plenário pode tentar acelerar a votação, admitiu ontem o líder da bancada do PPB, vereador Paulo Frange.
O comando político do Palácio das Indústrias não conseguiu convencer dois - Toninho Paiva (PFL) e Maria Helena (PL) - dos cinco parlamentares governistas a votar a favor de Pitta e perdeu a primeira batalha na guerra contra o impeachment. Por quatro votos a favor, dois contrários e uma abstenção, o Executivo viu as denúncias de irregularidades apresentadas pelo PT serem transformadas em acusação.
As acusações apontam irregularidades comentidas por Pitta na transferência de verba legal para o setor de educação, na emissão de títulos públicos para o pagamento de precatórios - pagamento de dívidias determinado pela Justiça - e no Plano de Atendimento à Saúde (PAS).
O prefeito nega todas as irregularidades, mas apesar disso os seus inimigos e críticos têm de conseguir 33 votos para iniciar o processo de impeachment. Se essa tarefa for cumprida, será instaurada Comissão Processante para investigar as acusações. Caso o parecer final seja pela cassação, precisarão de 37 votos para afastar Pitta de seu cargo.
Todos os vereadores, governistas e da situação, acham muito difícil o afastamento de Pitta ser aprovado. Mesmo assim, Pitta iniciou um trabalho na semana passada para recompor sua base parlamentar e tentar evitar o início do processo.
Articulações A estratégia pilotada pessoalmente por Pitta é acenar com promissor futuro político-eleitoral, que, apesar das dificuldades administrativas enfrentadas pelo atual prefeito, seriam maiores caso um novo grupo político assuma o Executivo. Além disso, o prefeito está acenando com a participação política aos vereadores.
Participação política sim, mas administrativa não, explicou recentemente o secretário do Governo Municipal, Carlos Agusto Meinberg. O governo começou a fazer o que deveria ter feito há 30 dias, afirmou um vereador do PPB, que pediu para não ser identificado.
O líder da bancada municipal do PPB, vereador Paulo Frange, está otimista. Temos a palavra de 12 dos 15 vereadores do PPB a favor do Pitta, afirmou Frange, sem declinar os nomes. Ele admite, entretanto, que uma parte dos parlamentares tende a votar contra o impeachment apenas para evitar uma vitória retumbante da esquerda.
Na outra ponta, o grupo que quer Pitta fora da Prefeitura também articula e busca adesões para conseguir os 33 votos. Os artífices seriam o ex-ministro e ex-deputado federal Luis Carlos Santos e o vice-prefeito e Corredor do Serviço Público Municipal, Régis de Oliveira.
Eles negam, mas vereadores supostamente governistas confirmam. De acordo com um vereador que já foi aliado ao governo e pediu para o seu nome não ser revelado, Santos e Oliveira deveriam participar de uma reunião na casa do vereador Ivo Morganti (PFL) ontem à noite para conversar com vereadores sobre a questão do impeachment.


